A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 11/01/2021
No início do desenvolvimento rodoviário brasileiro Washington Luís criou um lema que foi levado como regra pelos governos seguintes: “Governar é abrir estradas”. Apesar do grande sucesso e avanço trazido pelo uso dos automóveis, a mobilidade urbana atual está a beira do colapso. Isso porque o crescente número de carros está superlotando as ruas, além disso, esse número tende a aumentar devido a falta de meios de transporte alternativos.
Nesse cenário, com o advento da malha rodoviária incentivado por Juscelino Kubistchek, a quantidade de carros se tornou um problema no Brasil contemporâneo. Nesse sentido, o sistema toyotista, baseado no princípio do “just in time”: tudo que é produzido é vendido, conseguiu baratear e popularizar a compra de automóveis. Dessa forma, o principal objetivo de tal sistema é evitar o acúmulo de estoques. Apesar de facilitar seu acesso, o acúmulo de carros sai dos estoques e vai direto para as cidades, causando congestionamentos e inviabilizando, cada vez mais, seu uso.
Em segunda análise, é válido mencionar a escassez de meios alternativos de locomoção. Referente a isso, as plantas só puderam evoluir quando pararam de depender da água para transportar seus gametas masculinos aos femininos. Assim, a partir do surgimento das gimnospermas, os gametas podiam se transportar pelo vento, por meio dos animais e por outros meios, o que facilitou sua dispersão na natureza. Da mesma forma que ocorreu com as plantas, é necessário que ocorra com os humanos, haja vista que a dependência do uso de carros atrasa o desenvolvimento dos centros urbanos. Logo, não é razoável que o Brasil, mesmo almejando resolver a crise rodoviária, não busque outras opções de transporte.
Infere-se, portanto que a locomoção é algo indispensável nas cidades e é um problema a ser solucionado. Desse modo, é dever do Ministério da Infraestrutura, como órgão responsável pelo transporte público, criar formas alternativas de mobilidade, por meio da criação e expansão de ciclovias, a fim de flexibilizar o uso de automóveis e diminuir seu tráfego.