A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 13/01/2021
Na obra “Utopia”, de Thomas More, é proposta uma sociedade alternativa e perfeita, na qual o Estado atende às demandas da população de forma concreta. Fora da ficção, porém, é notório que a realidade é totalmente diferente, visto a crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Sob esse viés, cabe analisar como causas do problema não só o legado histórico de negligência estatal, mas também a influência midiática.
A princípio, é essencial compreender como a negligência do Governo contribui para a crise da mobilidade urbana brasileira. Na década de 1950, com o crescente avanço industrial, o então presidente da época, Juscelino Kubitschek, impulsionou a indústria automobílistica para níveis nunca vistos antes no Brasil, através de empréstimos estrangeiros e atração de multinacionais. Apesar da construção de rodovias e da elevada produção de automóveis, outros setores da mobilidade urbana foram colocados em segundo plano, o que na sociedade contemporânea se configura como um problema, visto o tráfego nas estradas e a migração pendular de moradores da periferia para o centro. Além disso, é indubitável que falta infraestrutura para o transporte público, sendo necessário o investimento em pistas exclusivas para ônibus e um preço mais acessível para a população.
Outrossim, é importante destacar a influência midiática como impulsionador da problemática. De acordo com Pierre Bourdieu, a mídia, criada para ser instrumento de democracia, não deve ser convertida em mecanismo de opressão. De maneira análoga, é possível identificar que a mídia não cumpre seu papel de instrumento de democracia, visto que, através de propagandas e anúncios de empresas produtora de automóveis, manipula e incentiva a população à adquirir seu próprio carro, as quais, muitas vezes, se endividam apenas para se encaixar em um padrão social. Toda essa conjuntura afeta tanto a economia brasileira quanto a mobilidade urbana, que poderia ser melhorada caso as mídias incentivassem o uso do transporte público em detrimento do transporte particular.
Depreende-se, portanto, o estudo de alternativas para se combater esses obstáculos. Para isso ,urge que o Ministério da Economia- órgão responsável por administrar as finanças públicas do Brasil -atraia recursos para os municípios brasileiros investirem no transporte público, pois cada um apresenta suas próprias peculiaridades, por meio de uma maior taxação sobre o setor automobilístico, com a finalidade de resolver a crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Ademais, as mídias devem reduzir a quantidade de propagandas de carro e incentivar o uso de transportes alternativos, como bicicletas. Assim, a sociedade estará caminhando mais fielmente para a Utopia de More.