A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 31/03/2021

Problemas da mobilidade urbana em questão no Brasil

O trânsito caótico das grandes cidades é um problema que cresce a cada ano. Ele é apenas um dos reflexos dos desafios da mobilidade urbana no Brasil, a qual tem sido amplamente discutida nos últimos anos não apenas pela população como também pelos setores públicos e privados.

O direito de ir e vir esbarra em dificuldades de compartilhamento das vias entre pessoas, carros, motos, bicicletas, caminhões e ônibus. A necessidade de melhorias na mobilidade urbana no Brasil nunca foi tão urgente, mas, para propor soluções, é preciso conhecer melhor as dificuldades enfrentadas.

O principal problema é o privilégio dado aos transportes individuais. Dessa forma, a mobilidade urbana no Brasil tem sua hierarquia afetada, priorizando sempre o individual ao coletivo. O padrão de preferências e privilégios deveria estar disposto da seguinte maneira: Pedestre; Ciclista; Transporte de Carga (para abastecimento da população); Transporte Coletivo. Dentro dessa hierarquia, o poder público deveria trabalhar às vias para priorizar de forma ordenada cada um dos citados anteriormente.

Mas para que o problema seja resolvido quanto antes, é preciso valorizar o transporte público; no entanto, apenas 52% dos municípios brasileiros contam com transporte urbano de acordo com a Associação Nacional de Transportes Urbanos (NTU). Algumas cidades grandes, como São Paulo e Curitiba, investem em áreas exclusivas para ônibus, favorecendo aqueles que optam pelo transporte público — porém, não adianta o investimento ser destinado somente às vias, também é necessário que seja voltado ao sistema estrutural.

Outra opção é apostar em ciclofaixas, já que o ciclismo e os veículos compartilhados, como patinetes, cada vez mais ganham espaço nos meios urbanos. Uma pesquisa feita pelo Ibope, em 2019, mostra que 82% dos paulistanos gostariam de novas ciclovias. É uma clara tendência de apoio ao uso das bicicletas. “Isso é um estímulo importante para a continuidade das políticas públicas que incentivem o modal”, afirma Jorge Abrahão — coordenador geral da Rede Nossa São Paulo.