A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 03/04/2021

Em seu livro “O mundo como vontade e representação”, o filósofo Schopenhauer discute sobre o sofrimento gerado quando as vontades não são saciadas. Paralelo a isso, o não cumprimento de forma eficiente dos direitos garantidos na Constituição Federal, como o de ir e vir, faz com que a sociedade sofra com as consequências. Sendo assim, a crescente crise na mobilidade urbana brasileira possui suas raízes, tanto na falta de planejamento, quanto na negligência governamental.

É relevante abordar, primeiramente, o conceito de “Amadorismo”, teorizado pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, que consiste na aplicação de políticas amadoras, que são ineficientes e geram somente resultados temporários. Nesse contexto, a ausência de planejamento das cidades é um exemplo de amadorismo que acarreta diversos problemas urbanos, como o de mobilidade, representando a teoria do “Inferno Urbano”, criada pela filósofa Marilena Chauí, que define três pilares para justificá-la, sendo eles, a falta de moradia, o transporte precário e a violência.

Em segunda análise, cabe mencionar o pensamento do sociólogo Chico de Oliveira sobre os países periféricos, evidenciando o descaso governamental que acontece neles, acarretando problemas sociais e, entre esses, estão os urbanos. Nesse sentido, a escassez de preocupação do governo em resolver as problemáticas das cidades, como a ineficiência da mobilidade nelas, faz com que a situação fique cade vez mais caótica e de difícil resolução.

Infere-se, portanto, que a crescente crise na mobilidade urbana brasileira precisa ser combatida. Desse modo, a Secretaria de Infraestrutura - órgão responsável por formular as políticas urbanas de um estado - precisa promover maneiras de melhorar o acesso ao meio urbano, construindo novas avenidas e aumentando a quantidade de ônibus em circulação. Além disso, na mídia, como televisão. redes sociais e rádio, o poder municipal deve realizar campanhas de incentivo ao uso do transporte público, com o objetivo de diminuir o fluxo do trânsito nas cidades. Só assim que a crise na mobilidade urbana poderá, gradativamente, ser freada.