A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 15/04/2021
Com o advento da Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII, as pessoas que moravam no campo se mudaram para a cidade em busca de melhores condições de vida, o que resultou no crescimento desordenado das cidades. Esse desenvolvimento desenfreado fez com que não houvesse um planejamento urbano adequado às necessidades da sociedade, o que gerou diversas falhas quanto a segurança dos direitos dos indivíduos, entre eles a mobilidade urbana. No Brasil, essa deficiência perdura até a atual conjuntura e é agravada com a precariedade do transporte público e com a cultura da valorização do carro.
Esse quadro de dificuldades encontrado no que tange a utilização dos transportes públicos é causado devido a falta de estrutura dos ônibus e dos terminais rodoviários. Assentos desconfortáveis, má ventilação e superlotação, estão entre os diversos desafios encontrados pelos brasileiros durante o processo de locomoção nas zonas urbanas; além de todo o desgaste esperando - muitas vezes em locais inapropriados -, adiciona-se o alto valor das passagens em troca de um serviço de locomobilidade deficitário. Dessa forma, esses fatores colaboram com o surgimento do estresse e da irritabilidade no usuário, e desrespeitam um direito que é assegurado constitucionalmente ao cidadão.
Além disso, o governo do presidente Juscelino Kubitschek foi responsável por um grande incentivo à instalação de indústrias automobilísticas no país, o que facilitou a compra de automóveis pela população e proporcionou uma cultura de valorização do carro. Com o investimento majoritário nesse modal, houve uma predileção por esse tipo de veículo devido ao “status” que o indivíduo obtinha perante a sociedade, e também como uma maneira de obter um serviço de locomoção melhor em relação àquele fornecido pelo poder público. Contudo, o aumento da quantidade de carros circulando resulta em grandes problemas de engarrafamento no trânsito - como pode ser observado no documentário “Perrengue” que retrata esse problema corriqueiro no trânsito paulistano -, auxiliando na alta emissão de gases tóxicos, poluindo a atmosfera e desencadeando doenças respiratórias.
Portanto, pode-se compreender que a falta de mobilidade urbana no território brasileiro é um obstáculo que necessita ser ultrapassado. Desse modo, urge que o Governo Federal, junto aos governos municipais, amplie a quantidade de linhas de transportes coletivos e melhore a qualidade das estruturas já existentes - como assentos confortáveis, maior disponibilidade de horários - por meio de maiores investimentos financeiros e também com o barateamento do custo da passagem a fim de incentivar o uso desses. Assim, o Brasil irá fornecer uma mobilidade adequada e digna aos seus cidadãos conforme previsto no Artigo 6º da Constituição Federal de 1988.