A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 19/04/2021

No governo de Juscelino Kubitschek foi desenvolvido o plano de metas “50 anos em 5”, que entre outras coisas, investiu fortemente na criação de rodovias e incentivou a população a adquirir carros. Esse fato culminou para um problema que continua presente na realidade brasileira: a dificuldade na mobilidade urbana devido ao aumento de carros em circulação. Tal entrave se intensificou cada vez mais devido a costumes sociais e a necessidade de velocidade.

Em primeiro lugar, destaca-se o hábito das pessoas adquirirem um carro. Isso ocorre pela crescente necessidade de obter um carro como sinônimo de status e sucesso pessoal. Esse fato pode ser comprovado pelo conceito do Fetichismo da Mercadoria, criado por Karl Marx, que afirma que as mercadorias deixam de ser apenas produtos, e se tornam um objeto de adoração, como é o caso dos automóveis na sociedade contemporânea, reforçado pela mídia que difunde valores sociais. Sendo assim, os indivíduos são influenciados a adquirir automóveis que, por sua vez, prejudicam a mobilidade urbana ao provocar um trânsito caótico.

Além disso, o modo de vida atual exige uma rapidez nos processos, rapidez esta que o estado não consegue suprir. Esse processo foi muito influenciado pelo Futurismo, vanguarda europeia do século XX, que defendia a exaltação da tecnologia e a valorização da velocidade. Certamente, esse ideal se espalhou não só para as artes e literatura, como também para o modo de vida dos indivíduos de forma intrínseca. Assim, a necessidade de agilidade somado a precaridade e demora dos transportes públicos, faz com que a população apele para uma alternativa mais rápida e confortável, como serviços privados de viagens e automóveis próprios. Logo, esse costume intensifica a quantidade de veículos que circulam os espaços urbanos, agravando o problema de locomoção.

Dessa forma, o Governo Federal deve promover melhorias no transporte público brasileiro por meio de modificações na estrutura deste. Essas modificações devem ser a intensificação da confortabilidade e o aumento da frota de ônibus em todas as linhas para diminuir o tempo de espera. Portanto, essa ação terá a finalidade de tornar os veículos públicos um recurso rápido e eficaz, permitindo que as pessoas possam optar por esse meio de locomoção e consequentemente diminuir a quantidade de veículos em circulação, diminuindo a crise na mobilidade urbana.