A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 01/05/2021

Em 1891, a primeira Constituição Republicana Brasileira assegurou a todos os brasileiros “o direito de ir e vir”. Todavia, a crescente crise na mobilidade urbana brasileira compromete o direito de locomoção do cidadão prendendo-o no trânsito por horas ou mesmo desistimulando-o de sair de casa para enfrentar a estrada. Deve-se isto a estrutura deficiente do transporte público das cidades e, por consequência, a promoção da “carrocracia”, estimulando o povo a utilizar o transporte individual, e o governo a investir nele. Nesse contexto, a crise cresce de maneira proporcional ao culto ao carro próprio que nasce da deficiência do país em promover transporte público de qualidade. Desse modo, tal conjuntura é incabível e merece um olhar mais crítico a fim de sua dissolução.

A priori, cabe salientar que a “carrocracia” tem tornado as ruas cada vez mais dos carros e menos das pessoas, o que promove a imobilidade urbana. Nesse sentido, é importante notar que esse termo refere-se a supremacia dos carros sobre os demais modais de locomoção, por exemplo bicicletas. Dessa forma, junto com o desejo do indivíduo em adquirir seu carro individual, as gestões das cidades programam-se para isso negligenciando a estrutura para locomoções alternativas, como as ciclovias. Destarte, a gestão pública trabalha para promover o trânsito alimentando o desejo por ter o carro próprio e não promovendo novas, e melhores, alternativas.

Ademais, vale ressaltar que as más condições de transporte público tornam ter um carro mais atrativo e, assim, promovem a crise na mobilidade urbana. De acordo com a Revista “Exame”, oito em cada 10 pessoas diz que optaria por não usar seu próprio carro caso houvesse alternativas viáveis no transporte público. Porém, as condições em que se encontram os ônibus e metrôs do país são preocupantes e causam medo e nenhuma atratividade ao público geral. Pois, a superlotação do transporte público dificulta a vida dos brasileiros, causa atrasos, desconfortos e, por vezes, prejuízos financeiros, como assaltos discretos. Em suma, a estrutura mal elaborada das cidades não comporta todos os carros e nem promove alternativas viáveis para o brasileiro e, logo, a locomoção no país caminha para um colapso.

Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas idôneas a fim da mitigação da crise na mobilidade urbana. Para tanto, urge que os gestores estaduais e municipais direcionem atenção suficiente para estruturar as cidades com alternativas de transporte, como ciclovias e faixas de pedrestes, estimulando os cidadãos a usarem outros modais. Ainda é necessário que promova-se, juntamente ao Ministério da Infraestrutura, melhorias para os ônibus e metrôs, aumentando, também, a quantidade de veículos coletivos diariamente para aliviar as superlotações. Somente assim, a crise na mobilidade será mitigada e o direito de ir e vir assegurado verdadeiramente.