A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 07/05/2021
Consoante ao sociólogo francês Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de opressão. Por outro lado, ao observar-se a dinâmica social no contexto brasileiro, a crescente crise na mobilidade urbana deturpa o ponto de vista do filósofo. Logo, é necessária a mudança desse quadro pungente, sustentada, ora pela negligência estatal, ora pela cultura do interesse no veículo individual.
Inicialmente, vale ressaltar a omissão governamental perante o problema. Conforme exposto na Constituição Federal de 1988, todos devem ter o direito social ao transporte. No entanto, tal princípio não é efetivado, uma vez que o Estado é responsável por não redirecionar verbas voltadas para melhorar a acessibilidade no sistema público de modal, prejudicando a qualidade de vida da população mais vulnerável. Como consequência, existe mais desigualdade social.
Outrossim, a cultura do automóvel próprio intensifica essa problemática. Nesse sentido, segundo o psicólogo brasileiro Goldeberg, o homem trata os espaços públicos como lugares a serem ocupados por quem chegou primeiro. Nesse sentido, os cidadãos desejam ter o seu veículo pessoal e usá-los com frequência, ignorando os transportes públicos, e assim, aumentando os polos de congestionamento nos grandes centros. Com isso, há um alongamento constante no tempo de deslocamento dos indivíduos. Portanto, faz-se necessária a ação conjunta de vários semelhoria na crise da locomobilidade urbana no Brasil. Para isso, cabe as Secretarias dos Transportes – órgão responsável por garantir melhores condições de segurança e fluidez na deslocação de pessoas- o papel de ampliar faixas e ciclovias de cidades, por meio de maiores investimentos financeiros, com o intuito de garantir o bem-estar da população e facilitar a locomoção urbana no Brasil. Feito isso, será possível atenuar a situação supracitada e garantir que ocorra o que foi evidenciado por Pierre Bourdieu.