A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 10/05/2021

A mobilidade urbana está diretamente ligada ao processo de urbanização das cidades. Com o surgimento das indústrias brasileiras em meados da década de 1930, esse processo se fortaleceu. A industrialização acelerou a migração populacional, na qual as pessoas deixavam o campo em busca de trabalho e melhoria de vida. No entanto, essa migração acelerada não acompanhou o ritmo de criação de empregos, o que trouxe maior competitividade em diversas áreas. Com isso, a mobilidade urbana, ao longo dos anos, foi gerando graves problemas urbanos.

Primeiramente, com o desenvolvimento das indústrias relacionadas ao êxodo rural, as cidades brasileiras cresceram de forma alarmante. Em contrapartida, no início do século passado, a taxa de população nas áreas rurais era de 65%, enquanto a taxa de população nas áreas urbanas era de 35%. No final do mesmo século, a população urbana era de 80%, enquanto a população rural era de 20%. Esses dados revelam as enormes mudanças que ocorreram no século 20.

Outro ponto relevante, é que o planejamento urbano e o desenvolvimento do transporte público nas grandes cidades brasileiras não conseguiram acompanhar o rápido crescimento urbano. Como resultado, o desenvolvimento do transporte público não foi o esperado, levando ao sucateamento. O mesmo tem permitido que as classes com maior poder aquisitivo obtenham seu próprio meio de transporte, aumentando o número de veículos nas ruas, e assim, contribuindo para a poluição do ar, engarrafamentos e os demais problemas urbanos.

Portanto, para o desenvolvimento sustentável, a mobilidade urbana deve passar por planejamento rigoroso. O incentivo ao uso de ciclovias, transportes públicos e passeios coletivos poderiam melhorar a capacidade de locomoção e reduzir o impacto ambiental causado pelo excesso de veículos circulando nas ruas. Essas soluções poderiam amenizar o problema, desde que seja estabelecida uma parceria entre a sociedade e as instituições públicas.