A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 09/05/2021

Durante a Segunda Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XIX, carros começaram a ser comercializados, tornando-se um artigo de luxo almejado por toda a população. Por conseguinte, são perceptíveis as consequências desse fato histórico na sociedade atual, tendo em vista a superlotação de veículos que assolam as avenidas brasileiras. Sobre esse entrave, é necessário analisar não somente a preferência pelo meio de transporte privado no território brasileiro, mas também como ele afeta outros modais.

Em primeira instância, o serviço de transporte público conta com enormes falhas, passando insegurança aos usuários e fazendo-os optar pelo transporte privado. Dessa maneira, devido à falta de investimentos do governo no setor de mobilidade pública, ônibus e metrôs enfrentam constantes atrasos e superlotações, diminuindo sua qualidade e fazendo com que o investimento na compra de um carro ou moto seja mais viável. Esse fato é notável quando se analisa a pesquisa realizada pela Big Data, em outubro de 2017, cujo diz que cerca de 57% dos entrevistados consideram a atuação das empresas responsáveis pelo transporte público negativa. A preferência pelo modal privado é problemática na medida que passa a existir uma superlotação das avenidas brasileiras, intensificando o estresse da população e podendo gerar acidentes de trânsito devido ao cansaço decorrente da jornada de trabalho.

Outrossim, visto que a preferência pelo transporte privado gera superlotação das avenidas, os investimentos para o mantimento desse modal acabam por inviabilizar transportes limpos, como o ciclismo. Sendo assim, dado que há um desequilíbrio entre verbas para construção e mantimento dos modais, apenas 14 em cada 100 municípios do Brasil possuem ciclovias, de acordo com o site NSC Total. Todavia, mesmo com a existência de ciclovias em 14 municípios brasileiros, a insegurança no trânsito se faz presente, acarretada pelo descaso da prefeitura local quanto à limpeza das áreas. Sendo assim, a deficiência na diversificação de modais acaba por diminuir a qualidade de vida da população dos centros urbanos a longo prazo, dado que veículos movidos à combustão geram resíduos poluentes que além de ocasionarem inúmeros problemas ambientais, também geram problemas respiratórios nos indivíduos.

Urge ao Ministério da Infraestrutura, junto ao poder executivo, a melhoria do transporte público e ciclovias brasileiras, por meio de projetos governamentais que visem o aumento da verba destinada a esses setores, para que, a qualidade de ambos possa melhorar e mais cidadãos passem a utiliza-los, de modo a aumentar o bem-estar populacional.