A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 09/05/2021
A segunda revolução industrial, iniciada no final do século XIX, impulsionou a criação de carros mais modernos e luxuosos, de modo a facilitar a locomoção das pessoas. Entretanto, hodiernamente, com o crescente uso dessas máquinas, a dificuldade na mobilidade urbana tem se agravado muito na sociedade brasileira. Deste modo, é notório que tal problema é estimulado tanto ela péssima estrutura das calçadas quanto pela escassez de ciclovias nos municípios. Logo, deve-se examinar as causas desse colapso na locomobilidade urbana, bem como medidas para atenuar tais questões.
Convém ressaltar, a princípio, que desde de 2012, entrou em vigor, no Brasil, a Lei de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/12), com planos de priorizar os modais públicos e também a circulação dos pedestres nas ruas. Não obstante, no que diz respeito ao tráfego de pessoas nas cidades, a malha brasileira não vê o correto funcionamento desse plano, haja vista que se encontra calçadas com buracos, degraus, com uma iluminação precária e também, em alguns casos, os pedestres andam nas estradas, junto dos automóveis motorizados, pois o calçamento é muito estreito. Tal questão pode ser observada na pesquisa divulgada, em 2019, pela Mobilize Brasil, na qual as capitais brasileiras não apresentam condições apropriadas para o trânsito dos cidadãos nas calçadas e nas ruas. Posto isto, é visível que a má infraestrutura dessas aumenta a chance do indivíduo preferir se deslocar de carro.
Outrossim, sabe-se que o conceito de carrocracia está presente nas ruas brasileiras, já que elas são elaboradas a partir da visão de beneficiar apenas os carros e não as bicicletas, ou os demais modais de transporte. Assim, em relação ao uso da bicicleta, esse benefício aos carros provoca a desistência das pessoas na hora de utilizar ela como meio de transporte, visto que a prevalência dessa ideia resulta em pouco investimento e manutenção das ciclovias. Isso fica evidente nos dados coletados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2017, no qual apenas catorze em cada cem municípios no país possuem ciclovias. Como efeito, essa falta de segurança aos ciclistas é outro fator que assola o trânsito urbano, pois a ausência de ciclovias leva esses a usarem carros. Dessarte, o não incentivo ao uso de transportes sustentáveis, como a bicicleta, é incitar a crise na mobilidade urbana.
Infere-se, portanto, a necessidade de o governo municipal, por meio das verbas dos impostos, adotar medidas, a exemplo de Enrique Peñalosa, que aumentou não só as calçadas, como também a iluminação das ruas, a fim de incentivar a população a se locomover a pé e diminuir o trânsito nas ruas. Ademais, outra solução é o investimento do Estado nas empresas de compartilhamento de bicicletas, que poderá criar pontos estratégicos por cada cidade, e na construção de ciclovias pelo estado. Somente com medidas como essas que o Brasil será um exemplo a ser seguido.