A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 07/05/2021
O livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas do Brasil contemporâneo. Nesse viés, entende-se que a mobilidade urbana é uma problemática em questão na atualidade. Sendo assim, seja pela baixa diversidade de modalidades de transporte, ou então pela infraestrutura precária das cidades, o problema vem silenciosamente se agravando e necessita de reflexão urgente.
Primeiramente, cabe ressaltar que o país carece de diferentes opções de modais de transporte, o que cria uma sobrecarga em poucos modelos. Nesse sentido, poucos métodos de transporte como o rodoviário, por exemplo, gerando problemas como o trânsito, poluição e dependencias comerciais. A exemplo disso temos a cidade de São Paulo que adota o rodízio de carros em certos dias para que a frota de veículos seja menor e diminuam os números de engarrafamentos. Logo, compreende-se que as poucas opções de meios de transporte são um fator que afeta diretamente na mobilidade urbana e pode influenciar em outras situações.
Em segundo lugar, as cidades brasileiras em sua maioria não possuem um planejamento urbano bem elaborado. Deste modo, os municípios não possuem as estruturas necessárias para a implantação de meios de transporte alternativos, como as ciclofaixas ou então as vias expressas para os transportes coletivos. Isso pode ser comprovado com uma lei aprovada em 2012 pelo Ministério das Cidades que exigia aos municípios com mais de 20 mil habitantes um documento com um plano de mobilidade urbana e, seis anos depois, apenas 6% das cidades inclusas tinham tal documento. Enfim, conclui-se que existe um descaso com a infraestrutura das cidades, o que colabora com a realidade apresentada.
Em suma, o problema existe e necessita de reflexão. Dessa forma, cabe ao Governo fiscalizar o cumprimento da lei de mobilidade urbana, por meio de metas - com relação às ciclofaixas, eletropostos e vias expressas , por exemplo -, com o objetivo de incentivar a diversificação dos meios de locomoção. Portanto, poder-se-á atenuar a problemática atual próximo ao discutido por Dimenstein em sua obra “O Cidadão de Papel”.