A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 06/05/2021

A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More retrata um corpo social isento de problemas. Fora da ficção, o Brasil encontra-se em um campo hodierno onde a crescente crise na mobilidade urbana persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela carente qualidade do transporte público, seja pelo intenso incentivo à compra de automóveis na sociedade capitalista contemporânea.

Primordialmente, é importante destacar que a má segurança e conforto disponibilizados nos transportes públicos, apesar de serem uma opção de menores impactos ambientais e ocupacionais nas estradas, se configuram como uma problemática a ser enfrentada. A faixa exclusiva para ônibus é um recurso que tem por objetivo de flexibilizar a transição desses veículos no trânsito, entretanto trechos e cidades não exploradas dessa opção, o que confere mais problemas de mobilidade. Segundo um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, 83% dos entrevistados usariam os ônibus municipais se estes atendessem suas expectativas. Nesse sentido, é notória o contraste que se faz entre qualidade e necessidade.

Ademais, com a adesão do modelo produtivo Toyotismo na década de 70, como compras de automóveis cresceram complacentes, associados ao sistema de obsolescência programada e variação dos produtos, induzindo o cidadão a adquirir novos veículos em um espaço de tempo inferior. Consequente a isso, a quantidade de carros presentes nas rodovias, em especial em horários de pico, tendem a crescer exponencialmente, haja visto que, o número de faixas para veículos alternativos como bicicleta não são uma realidade em todas as cidades brasileiras, aliada a vida agitada e corrida das metrópoles que dificuldade a aquisição de outras meios de mobilidade.

Portanto, é indubitável a crise na mobilidade urbana e seus impasses. Destarte, cabe ao Governo Federal em conjunto com as Prefeituras Municipais através da Política Nacional de Mobilidade Urbana promover o aumento da frota de transporte público nos centros urbanos bem como a garantia de sua qualidade. Outrossim, é necessária a construção de faixas exclusivas para ônibus em todas as metrópoles, assim como ciclovias e atuação da mídia propagandeando sobre a obtenção de hábitos que favoreçam o melhor fluxo nas rodovias. Assim, uma sociedade idealizada por Mais se torna mais próxima e possível.