A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 06/05/2021

A Constituição brasileira de 1988 assegura a todos os indivíduos o direito de ir e vir. Entretanto, na prática tal garantia é deturpada, visto que, atualmente, há uma crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Esse cenário nefasto ocorre não só devido à negligência governamental, mas também à falta de estrutura dos transportes públicos. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos constitucionais.​

Em primeiro lugar, é indiscutível que o poder público se omite frente ao agravamento da situação, uma vez que o país não prioriza o transporte não motorizado - pelo contrário, o governo brasileiro, desde o século XX, investe intensamente no setor rodoviário, impulsionando o consumo de automóveis. De acordo com IPEA, a quantidade de financiamento público do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2) destinada à mobilidade urbana é insuficiente para resolver o problema das grandes metrópoles - apenas 0,45% dos 2,1% do PIB foi investido de 2011 até 2014. Além disso, nota-se que transportes sustentáveis como as bicicletas têm ficado à margem do poder público, dados do IBGE coletados em 2017 são a prova disso, apenas 14 em cada 100 municípios no país possuem ciclovias e os que oferecem bicicletários públicos é mais insignificante ainda, 5 em cada 100. E, por isso, grandes cidades do Brasil enfrentam, diariamente, extensas filas de congestionamento.

Em segundo lugar, é importante destacar também que a falta de estrutura para transportes alternativos corrobora de forma intensiva para o entrave. Isso porque a baixa oferta de transporte público, o alto custo das passagens, a falta de segurança, sinalização, e calçadas são fatores que torna o transporte público cada vez mais caótico, induzindo as pessoas a utilizarem seus veículos particulares. Sendo assim, observa-se que o trânsito se tornou uma das maiores dores de cabeça para a população e com acúmulo de veículos nas ruas, estresse, acidentes e poluição, só tende a piorar nos próximos anos caso não sejam adotadas políticas mais eficientes. Logo, é inaceitável que essa situação se perpetue na sociedade contemporânea.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do Governo, por intermédio dos órgãos responsáveis, estimular o uso de meios de transporte de baixo impacto na natureza. Essa medida deve ser feita por meio da elaboração de projetos - como, por exemplo, a construção de mais ciclovias - com o auxílio de profissionais da área. Tal fato, tem a finalidade de fornecer maior conforto e segurança aos pedestres e ciclistas, e, assim, incentivando-os a substituir os carros. Por fim, a sociedade brasileira poder-se-á viver de forma mais harmônica e coesa com o meio ambiente.