A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 10/05/2021
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. Entretanto, nota-se a irresponsabilidade do governo no que tange à questão da crise na mobilidade urbana brasileira. Dessa forma, observa-se que essa crescente crise na locomobilidade urbana reflete em um cenário desafiador, seja em virtude da dificuldade do acesso das pessoas que moram em áreas periféricas aos bens de consumo, seja em virtude dos crescentes congestionamentos no trânsito, causados pela grande quantidade de veículos.
Primeiramente, vale ressaltar que a mobilidade urbana está associada ao direito de ir e vir, ao acesso a qualidade de vida, serviços públicos e não somente ao transporte público. No entanto, a população brasileira que vive na periferia enfrenta a dificuldade no deslocamento para escolas, hospitais, bancos e oportunidades de emprego. Em um mapeamento feito e publicado pelo Estadão, é mostrado que 25% da renda mensal de uma empregada doméstica negra nordestina é direcionada ao gasto com transporte, no caso, uma ida e volta de ônibus. Devido a este fator nota-se que essas pessoas não tem condições de viver no centro da cidade, mas sim em subúrbios que em muitos dos casos, são desprovidos dos serviços básicos. Dessa forma, fica visível a piora nas condições de vida por conta dos deslocamentos longos e diários , a dificuldade no acesso ao transporte e as oportunidades de emprego, o que acaba por fazer uma disparidade entre as classes sociais, além de uma marginalização social.
Ademais, o excesso de veículos nas ruas leva a uma dificuldade maior de acesso ao trabalho da população e a uma crise nas grandes avenidas no país. Uma pesquisa feita pelo PNAD, Pesquisa Nacional por Domicílio, revela que na região metropolitana do Rio, são gastos, em média, 50 minutos para se deslocar da casa ao trabalho, logo em seguida vem São Paulo com 46 minutos. Esses bloqueios no trânsito são, em sua maioria, causados pelo grande número de carros nas grandes metrópoles, que por sua vez, além de impedir o fluxo de carros, causam doenças respiratórias, devido ao excessivo gás carbônico liberado.
A fim de solucionar esse impasse, é necessária a mobilização de determinados agentes implicados na mobilidade urbana. Portanto, o Governo deve facilitar o acesso aos serviços básicos a população, como o lazer, saúde e segurança, por meio do dinheiro dos impostos, em que a construção desses bens será feita com preferência as áreas mais necessitadas do país. Além disso, o Governo deve incentivar a população a optar por meios alternativos de transporte, por meio de parcerias com os canais de televisão, que irão passar propagandas de instigação a essa troca de meio de locomoção. Como resultado dessa nova perspectiva ocorrerá a melhora da mobilidade urbana brasileira.