A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 05/05/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto tem como característica mais marcente um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a crise crescente na mobilidade urbana tem tornado o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela carente qualidade do transporte público, seja pelo intenso incentivo à compra de automóveis na sociedade capitalista contemporânea o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeira análise, deve-se destacar que má segurança e conforto disponibilizados nos transportes públicos corrobora de uma forma intensiva para o entrave. Segundo o Art.6° da Constituição Federal de 1988 todos os cidadões tem direito de ir e vir. Nesse sentido, observa-se que a faixa exclusiva para ônibus é um recurso que tem por objetivo de flexibilizar a transição desses veículos no trânsito, entretanto trechos e cidades não dispõem dessa opção, o que confere mais problemas de mobilidade. Sendo assim, é percepitível que esse bloqueio é sustentado por fatores sociais.
Ademais, vale ressaltar a crescente compra de automóveis como impulsionador da mobilidade urbana . De acordo com dados do Denatran aproximadamente 160.000 novos carros foram para rua entre junho e julho de 2015. Diante de tal exposto, é notório que a quantidade de carros presentes nas rodovias, em especial em horários de pico, tendem a crescer exponencialmente, haja visto que, o número de faixas para veículos alternativos como bicicleta não são uma realidade em todas as cidades brasileiras, aliada a vida agitada e corrida das metrópoles que dificulta a aquisição de outros meios de mobilidade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Nesse viés, o Governo Federal em conjunto com o Ministério dos Transportes, deve assegurar o passe livre para trabalhadores em seus horários de deslocamento, via comprovação de função nas prefeituras, a fim de diminuir o número de veículos nas cidades. Além disso, compete ao Estado investir em ciclovias em todos os municípios, com a finalidade de colaborar com o tráfego e diminuir a emissão de gases poluentes. Assim, a realidade descrita por Policarpo Quaresma, finalmente acontecerá, de fato, no Brasil.