A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 07/05/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a mobilidade urbana torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela má qualidade do transporte público, seja pela falta de estruturas para transportes alternativos, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do real, visto que a má qualidade no transporte público leva o país de encontro a essa concepção idealizada por Quaresma. Isso porque, a baixa qualidade dos serviços prestado pelas empresas de ônibus pode ser uma justificativa para que as pessoas ainda não tenham optado por outras formas de deslocamento que não seja seus próprios veículos. Segundo pesquisa feita pelo IBOPE, 83% dos entrevistados deixariam de usar o automóvel com certeza e/ou provavelmente caso houvesse uma alternativa de transporte público que atingisse suas expectativas. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Em segundo lugar, verifica-se que a falta de estruturas para transportes alternativos é também fator pontual para a continuidade do problema. Isso porque, muitas cidades não possuem estruturas para transportes alternativos como ciclovias, obrigando as pessoas a utilizarem outros meios de transportes. Segundo o site g1, as ciclovias representam apensa 1% das malhas viárias das capitais do Brasil. Assim, hão de ser analisados tais fatores para mitigá-los de maneira eficaz.
Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Governo, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a mídia, devem estimular, por meio de campanhas, o uso de veículos coletivos e alternativos como ônibus e bicicletas, além da implantação de ciclovias. Tais campanhas devem ser publicadas nas redes sociais do Ministério, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre a morosidade do trânsito nas grandes cidades, impactos ambientais e atingir um público maior. Somente assim, esse problema será gradativamente erradicado, pois, conforme Gabriel O pensador, “Na mudança do presente a gente molda o futuro”.