A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 06/05/2021
“50 anos em 5”, esse foi o lema empregado pelo presidente Juscelino Kubitschek no final da década de 50. Essa fala argumentava a idealização de modernidade e avanço, causado pela abertura da economia para indústrias estrangeiras. Pela entrada de montadoras no Brasil, foi investido milhões de reais em rodovias, porém, o governo não calculou os impactos na mobilidade que tal orçamento poderia resultar. Dessa forma, o século XXI presencia uma grave crise na imobilidade urbana, e com isso, evidencia-se a necessidade de medidas para reverter essa situação.
Sob esse viés, embora os investimentos das indústrias de automóveis tenham remodelado a economia com as suas instalações, o dinheiro foi destinado á apenas um setor de transporte, o rodoviário. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o país possui em média 1,03 km de rodovia por habitante, ou seja, o Brasil apresenta grandes extensões de circulação, porém, o excesso de veículos deixa essas estradas congestionadas, delimitando o seu uso. Todavia, vale ressaltar que essa imobilidade poderia ser amenizada se o país investisse em outros meios de transporte, como o ferroviário, que atualmente apresenta apenas 30.000 km de extensão, totalmente contrário aos países desenvolvidos, que optaram por melhorar trens e metrôs, para locomover o maior número de passageiros em menos tempo.
Ademais, estudos atuais têm comprovado que o aumento do congestionamento e frequentes atrasos no transporte, se tornam agravantes nos problemas de saúde. O médico da Universidade de São Paulo, Paulo Saldiva, afirma que 10% dos infartos no mundo são causados pela exposição do trânsito e à poluição. O aumento de veículos resulta mais gases do efeito estufa, que deixam as grandes cidades cobertas de poluentes nocivos à saúde, ocasionando um acumulo de fuligem nos pulmões, que geram doenças cardíacas e respiratórias para toda a sociedade que inspira esse ar contaminado.
Portanto, é preciso que o governo, por meio de verbas públicas, invista nas ferrovias do país, no aumento de trilhos e trens, diminuindo o contingente de passageiros no transporte individual. Com isso, melhorar os atuais ônibus e adicionar outros e horários de maior movimento, também ajudará a reduzir o uso de carros por habitante. Concomitante a isso, o índice de veículos diminuirá, assim como a emissão de gases poluentes, minimizando o tempo na estrada e os problemas de saúde causados pelas falhas da imobilidade. Só assim, será possível garantir um país que, realmente, zele pelo bem estar da população.