A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 08/05/2021

Desde que Juscelino Kubitschek introduziu incentivos para a expansão da malha rodoviária em seu governo, o Brasil tem exagerado na valorização dos carros, o que acabou gerando problemas de mobilidade urbana, já que o elevado número de veículos dificultam as locomoções das pessoas. Essa situação destaca a a falta de investimentos em transportes públicos, a decadência das calçadas e ciclovias - o que atrapalha a locomoção à pé ou de bicicletas - e a promoção do carro como elemento de status. Dito isso, fica nítido o quanto é necessário encontrar soluções para esse problema, de modo que, seja possível melhorar a mobilidade urbana brasileira.

Primeiramente, vale ressaltar que, a pequena escala da malha dos transportes públicos pode ser considerada um dos incentivos para a aquisição de veículos de transporte urbano, pois, devido à escassez de linhas de trens (além deles serem desconfortáveis e desatualizados), as grandes metrópoles têm poucas opções de transporte. A falta de investimento atinge também os ônibus - que se encontram em estado instável - e as calçadas, que representam perigo para pessoas com deficiência, idosos e outras pessoas com mobilidade reduzida por causa de passadiços precários. Por isso, para obter conforto e segurança, os indivíduos optam pelo uso de automóveis e, segundo dados do Observatóriodas Metropoles, sua frota dobrou nos últimos dez anos.

Portanto, os cidadãos muitas vezes têm grandes encargos de dívidas para obter veículos particulares, não só para atender às necessidades de deslocamento, mas também para adquirir status social com essas compras. Diante do reforço excessivo do transporte pessoal, o conceito de luxo no imaginário popular ainda tem muito a ver com as ideias expressas pelo governo JK - que promove a implantação das empresas automobilísticas no Brasil. Com isso, até hoje, os resultados do longo congestionamento nos horários de pico podem ser vistos. Segundo reportagem do jornal “O Globo”, os paulistanos ficam no trânsito em média 45 dias por ano, reiterando a queda na qualidade de vida causada pelos transtornos do trânsito urbano.

Compreende-se, portanto, que a Secretaria de Transporte Metropolitano de cada estado deve aumentar o número de linhas de transporte público em seus territórios, aumentando o investimento e as fiscalizações operacionais para garantir o bem-estar geral da população, evitando assim que as pessoas se voltem ao uso do transporte pessoal. Por fim, é de suma importância que haja investimentos nos meios de locomoção à pé e incetivos aos transportes alternativos . Dessa forma, será possível melhorar a mobilidade urbana brasileira.