A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 07/05/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista e acredita em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a mobilidade urbana torna o país cada vez mais distante do imaginado pela personagem. Nesse âmbito, seja pela ineficiência governamental, seja pela negligência social, o problema exige uma reflexão urgente.

É necessário destacar, a priori, que a falta de políticas públicas corrobora de forma intensiva o entrave. Segundo Abraham Lincoln, ícone político americano, a política existe para servir ao povo e não ao contrário. Desse modo, em relação à precariedade da locomoção ocorrida em centros urbanos, o que se percebe é justamente a ideia oposta a que Lincoln defendeu, pois não há um conjunto de ações, planos, metas públicas voltadas para a resolução da questão. E, como consequência, há o agravamento de um problema social expressivo que poderia ser solucionado se houvesse mais interesse do Estado. Assim, é mister uma reformulação da postura estatal brasileira.

Ademais, é imperativo pontuar que a idealização de Quaresma distancia-se ainda mais da realidade brasileira, visto que o desmazelo da sociedade é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Isso porque o termo cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam um pleno conhecimento da realidade na qual estão inseridos, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Sob tal ótica, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra “Ensaio sobre Cegueira”, caracteriza a alienação da sociedade às demais realidades sociais. Nesse sentido, tal obstáculo advém de uma despreocupação dos cidadãos em exigir reformulações nos setores públicos encarregados de garantir uma fluidez no trânsito das cidades. Logo, é essencial a intervenção do brasileiro na comunidade em que vive e sua contribuição, sobretudo, para uma melhora do tráfego nas metrópoles brasileiras.

Diante disso, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Para tanto, é dever do Governo Federal – órgão responsável pelo bem-estar da população – elaborar um plano nacional de incentivo ao investimento de transportes alternativos, como a priorização de ciclovias e conduções públicas de qualidade, por meio de uma associação entre prefeituras, governadores e setores federais, já que o fenômeno envolve todos esses âmitos administrativos, a fim de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto. Dessa forma, notar-se-á uma melhora no cenário nacional aproximando do ideário de Policarpo Quaresma.