A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 09/05/2021

É possível afirmar que a mobilidade urbana no Brasil caminha para um caos crescente. Tendo em vista suas motivações, o aumento da utilização de automóveis particulares pode ser apontado como o principal motivo para a crise que se enfrenta. Questões como a infraestrutura e condições do transporte público atual e até mesmo a cultura nacional frente à questão do trânsito devem ser salientados neste contexto. Ao implantar a conhecida medida de desenvolver o país “50 anos em 5”, certamente o presidente Juscelino Kubitschek não poderia ter imaginado os efeitos de sua política rodoviarista para o futuro. Desde os tempos da implementação desta meta, criou- se na mente brasileira o ideal de que ter um carro tornaria um indivíduo mais elitizado e culto. Atualmente, com o desenvolvimento deste raciocínio, aliado ao aumento do poder aquisitivo das classes sociais mais baixas, foi ampliado o número de aquisição destes veículos, incentivando também pela redução de taxas de importação e aumento da produção de automóveis, com mais possibilidades de pagamento. Pode-se também atribuir como causa do desconforto móbil-urbano o problema das bases de organização e conforto de transportes públicos. É difícil rodear metrópoles como São Paulo sem utilizar meios locomotores como ônibus,trem e metrôs extremamente lotados, assim, ainda permanece a ideia popular que carros ou motocicletas são melhores; o que contribui para índices como os do Observatório das Metrópoles, que indica que de 2002 a 2012 a população brasileira cresceu 12,2%, enquanto o número de veículos 138,6%, uma desproporcionalidade absurda. Desta forma, pode-se considerar que o impasse da locomobilidade em cidades pode ser resolvido não somente com a redução do número de veículos individuais, que ocorre com a redução da compra de carros, proveniente da diminuição de incentivos à exportação, como também pela regularização de transportes públicos quanto a sua quantidade e qualidade, ambas as propostas que podem ser executadas por diferentes organizações governamentais, algumas que regulamentam o comércio exterior e outras que fiscalizam os meios de condução coletiva. Além disso, cabe às instituições de ensino o desenvolvimento de programas educacionais que valorizem a utilização de meios de transporte públicos, e também de bicicletas, que apesar de individuais, ocupam pouco espaço e favorecem a harmonia em vias da cidade.