A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 09/05/2021

Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremo que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil e morreu frustrado ao ver que elas não aconteceram. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entrave, como a crise crescente na mobilidade urbana, se faz presente no corpo brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar uma análise como a falta de ciclovias e o baixo investimento nas rodovias estão afetando a mobilidade urbana.

Observa-se, em primeira instância, que a falta de ciclovias afeta diretamente no fluxo de carros nas ruas, sob essa ótica, tal entrave se diverge de utopia de Brasil narrada por Barreto, na medida em que apenas 14 a cada 100 municípios no país possuem ciclovias, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ademais, a falta de ciclovia faz com que os ciclistas tenham que definir por andar nas ruas, provocando um aumento no trânsito de carros e aumentam o perigo de acidentes, tendo em vista que os carros são obrigados a desviar das bicicletas constantemente.

Outrossim, vale ressaltar que as rodovias não recebem o investimento necessário para manter sua manutenção. Nesse contexto, ganha voz a percepção do sociólogo Émile Durkheim, ao afirmar na obra “Estudo do método sociológico”, que os instrumentos sociais obrigam os indivíduos a se adaptarem às regras da sociedade. Esse pensamento, em sua essência, revela a má qualidade do governo em relação a vida do cidadão, que é colocada em risco diariamente ao sair, em qualquer meio de transporte, pelas ruas mal cuidadas, devido a baixa aplicação de recursos nesses meios.

Portanto, tendo em vista os fatos supracitados, fica clara a necessidade de que o governo, por meio de projetos governamentais, financie, não somente ciclovias, mas também obras para melhorar a qualidade das estradas, para que dessa forma todos sintam-se seguros para sair com qualquer veículo e a quantidade de acidentes, assim como a de trânsito, diminua. Também se faz necessário que o governo, por meio de campanhas, utilize a mídia como principal veículo de comunicação para conscientizar a todos que utilizam as ruas ou ciclovias a necessidade do cuidado ao dirigir e reforçe as leis de trânsito, como a de utilizar o cinto de segurança, para que dessa forma seja garantida a segurança de todos. Assim, implementadas essas ações, espera-se solucionar os desafios da crise crescente na mobilidade urbana brasileira, de modo a orgulhar Policarpo Quaresma.