A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 08/05/2021
A obra “Utopia” do escritor britânico Thomas More retrata um grupo social sem problemas. Fora da ficção, o Brasil encontra-se em um campo onde a crescente crise na mobilidade urbana persiste internamente ligada à realidade do país, seja pela carencia de qualidade do transporte público, seja pelo intenso incentivo à compra de automóveis na sociedade capitalista contemporânea.
Em primeiro lugar, é importantante enfatizar que a má segurança e conforto disponibilizados nos transportes públicos, apesar de serem uma opção com impactos ambientais e ocupacionais menores, ainda se configuram como um problema a ser enfrentado. A faixa exclusiva para ônibus é um recurso que tem por objetivo de flexibilizar a transição desses veículos no trânsito, entretanto trechos e cidades não dispõem dessa opção, o que confere em mais problemas de mobilidade. Segundo um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, 83% dos entrevistados usariam os ônibus municipais se estes atendessem suas expectativas. Nesse sentido, é notória o contraste que se faz entre qualidade e necessidade.
Além disso, devido à persistência do modelo de produção do Toyotismo na década de 1970, as compras de automóveis aumentaram significativamente, o que está relacionado à obsolescência planejada e a variação dos produtos, que leva os cidadãos a comprarem carros novos em um período relativamente curto de tempo. Como resultado, dado o número de pistas onde veículos alternativos (como bicicletas) não estão disponíveis em todas as cidades do Brasil, aliado à vida próspera e ao tráfego pesado, o número de carros nas rodovias aumentou exponencialmente, principalmente nos horários de pico nas grandes cidades que dificultam o acesso a outros meios de transporte. Na cidade de São Paulo, 5 milhões de pessoas viajam diariamente em ônibus, enquanto 4 milhões utilizam o metrô. Uma das soluções encontradas foi o estabelecimento do rodízio entre carros determinados pelo número da placa do veículo. No entanto, a lei não se revelou eficaz. Isso porque algumas pessoas compraram um segundo automóvel com número distinto a fim de continuarem a usar o veículo privado. A cidade continua investindo na expansão da rede de metrô para minorar os efeitos do trânsito caótico.
Portanto, não há dúvidas sobre a crise da mobilidade urbana e seus impasses. Assim, o governo federal em conjunto com governo municipal por meio da Política Nacional de Transporte Urbano, promover o aumento da frota de transporte público no centro da cidade e a garantia de sua qualidade. Além disso, é necessário estabelecer faixas exclusivas para ônibus em todas as regiões metropolitanas, bem como ciclovias e atividades de mídia para promover hábitos que favoreçam o melhor trânsito nas rodovias. Portanto, a sociedade idealizada por More torna-se o mais próxima e possível.