A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 10/05/2021

A partir da Revolução Industrial, diversos povos passaram por profundas transformações não só econômicas como, principalmente, sociais. Embora a sociedade brasileira atual apresente contornos específicos, ainda é possível visualizar o legado presente na questão da mobilidade urbana. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de investimento e do legado histórico.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a falta de investimento presente na questão. Sabe-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital, como explicam filósofos como Marx. Nesse sentido, para serem resolvidos problemas dentro do contexto capitalista, faz-se necessário investimento financeiro. No entanto, há uma lacuna de investimento para ampliar e melhorar os meios alternativos no trânsito, o que dificulta a troca do transporte individual, como o carro, para o meio modal. Assim, infelizmente, o uso excessivo de veículos e a eliminação de monóxido de carbono no ar, acarreta problemas na saúde respiratória, como a asma.

Outrossim, o legado histórico ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a política rodoviarista do país, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história brasileira, que gerou um acúmulo nos investimentos para esse tipo de transporte em detrimento de outras formas de locomoção. Desse modo, é inadmissível que tal situação se perpetue, pois traz consequências gravíssimas, como o aumento de veículos pesados, como os caminhões, o que dificulta mais ainda a fluidez do trânsito no Brasil.

Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre o problema. Dessa forma, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União devem fiscalizar o destino dos investimentos brasileiros, a fim de remanejá-los a áreas que mais necessitam. Para que tal destinação seja coerente com a realidade brasileira, estes órgãos podem criar consultas públicas, nas quais a população interaja e aponte questões como a mobilidade urbana, que precisam ser resolvidos com urgência. A partir dessas ações, espera-se promover a construção de um Brasil melhor.