A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 07/05/2021
É fato que a crise na mobilidade urbana no Brasil vem crescendo a cada dia, é um conceito bastante discutido nas políticas públicas que envolvem o planejamento das cidades. Um processo que mostra o modo como a população urbana se locomove pelos espaços geográficos urbanos, seja de maneira individual ou de maneira coletiva , além de interferir diretamente no bem-estar social dos cidadãos nas cidades.Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro, intrinsecamente ligado a aspectos sociais e urbanos.
É importante ressaltar, em primeiro plano, o direito de ir e vir das pessoas, a mobilidade urbana está diretamente ligada ao processo de urbanização das cidades. Isso ocorre, devido a chegada das grandes indústrias no Brasil, em meados da década de 1930, que acelerou a migração campo-cidade(exôdo rural) em que as pessoas partiam das áreas rurais em busca de empregos e possíveis melhorias de vida. O planejamento urbano e a evolução dos meios de transportes coletivos nas grandes cidades brasileiras não acompanharam esse rápido crescimento urbano. Com isso, os transportes coletivos se desenvolveram aquém do esperado, causando um rápido sucateamento. Esse sucateamento dos transportes coletivos contribuiu para que as classes de maior poder aquisitivo adquirissem seu próprio transporte, aumentando o número de veículos nas ruas.
Cabe ressaltar, em segundo plano, um fator que contribui para aumentar o problema da falta de mobilidade urbana no Brasil é a herança histórica da política rodoviarista do país, que gerou um acúmulo nos investimentos para esse tipo de transporte em detrimento de outras formas de locomoção. Com isso, aumentou-se também a presença de veículos pesados, como os caminhões, o que dificulta ainda mais a fluidez do trânsito no Brasil. Tal crise tem como principais urbanas idade características, o aumento dos congestionamentos e do tempo de viagem, o crescimento da motorização, o aumento da vitimização em acidentes de trânsito e a disseminação de formas precárias e inseguras de transporte coletivo.
Desse modo, é imperiosa uma ação da legislação brasileira com a aplicação mais rígida da lei que rege as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, ampliando áreas atendidas pelos transportes públicos coletivos, incentivo ao uso de ciclovias, caronas coletivas, rodízios de carros e até mesmo pedágios urbanos poderia melhorar a locomoção e diminuir os impactos ambientais causados pelo excesso de veículos nas ruas, um dos principais entraves a uma boa mobilidade. Flexibilidade no horário das atividades urbanas: comércio em uma hora, atividades escolares em outra, para distribuir a mobilidade ao longo do dia, também poderiam amenizar os problemas.