A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 09/05/2021

Na história do Brasil, um marco para a mobilidade urbana foi o governo de Juscelino Kubitschek. O plano de metas trouxe um rápido e desorganizado crescimento das metrópoles e ainda a valorização do modal rodoviário de transporte, por conseguinte, o mal planejamento das cidades acarretou na dificuldade de deslocamento, com a criação das grandes rodovias, surgiram problemas como: calçadas pequenas, falta de ciclovias e inundações. Além do descontentamento da população, que perdura até os dias atuais.

Os problemas relacionados ao funcionamento do transporte público colaboram com a crise de mobilidade que se tem no país hoje, os preços abusivos das passagens de ônibus e metrôs, o fluxo insuficiente, as linhas mal planejadas e ainda algumas atitudes tomadas recentemente pelo governo, como por exemplo: a criação de um bilhete único metropolitano, que impossibilitou o dinheiro físico como forma de pagamento e que ainda apresenta falhas, visto que, a única forma de cadastro é online e a plataforma do governo não busca facilitar a interação para o usuário, diminuiu o número de idosos aderindo ao meio de transporte. tudo isso colabora para que os moradores das metrópoles não vejam o transporte público como alternativa.

Ademais, é necessário enxergar a mobilidade urbana no Brasil como um fator social e econômico. em 2013, Pequim, capital da China, iniciou um programa sustentável e social que convertia garrafas PET em bilhetes de metrô, iniciativa que foi aderida em diversos outros países. No Brasil, o valor que o passageiro paga no transporte público não corresponde à qualidade da viagem, reservando o meio público à parcela mais pobre da população. Assim, é inegável que a propaganda feita em torno da obtenção do carro próprio no país, impõe o veículo como status social, visto que quando relacionado com o mal planejamento das cidades, pessoas que vivem em áreas mais periféricas com a presença de moradias irregulares por exemplo, não tem acesso ao automóvel, e um dos motivos é a falta de estrutura para locomoção dentro de sua própria localidade.

Em suma, é necessário a atuação dos governos federais, estaduais e municipais buscando principalmente a implementação dos diferentes modais de transporte, fugindo do meio rodoviário congestionado. Uma maior fiscalização das calçadas cidadãs, que já é lei em muitos estados, e também a criação de ciclovias e ciclofaixas, incentivando o transporte saudável e sustentável. É necessário também, garantir a eficiência do transporte público, expandindo a malha metroviária, melhorando as linhas de circulação dos ônibus e ainda a qualidade do transporte, a fim de acabar com o problema da mobilidade nas metrópoles e  fazendo do Brasil um país mais igualitário.