A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 09/05/2021

Durante a década de 1950, Juscelino Kubitschek priorizou o desenvolvimento das indústrias automobilísticas e o incentivo da construção de rodovias no país. Como resultado, as condições de deslocamento de cargas e pessoas no perímetro urbano, denominada mobilidade urbana, obteve inúmeras problemáticas, como impactos na qualidade de vida dos brasileiros e poluições.

Primeiramente, devido ao grande crescimento da frota de veículos e ter somente a malha rodoviária como principal alternativa, as cidades brasileiras não conseguem comportar essa quantidade de veículos. Assim, inúmeros trabalhadores e estudantes passam todos os dias por congestionamentos e pela superlotação dos transportes públicos, caracterizados por apresentar precárias condições e elevadas tarifas. De acordo com o jornal O Globo, um paulista passa cerca de quarenta e cinco dias por ano em “engarrafamentos”, tempo que poderia ser utilizado para realizar atividades essenciais, como descansar, lazer ou trabalho.

Além disso, em virtude de suprir a necessidade do conforto e agilidade para locomoção, diversos indivíduos passaram a utilizar e comprar carros particulares, e essa aquisição passou a ser associada de forma predominante a status. Sob esse mesmo viés, o filósofo Zygmunt Bauman afirma que a sociedade contemporânea está mais preocupada com a obtenção de bens do que valores morais e não conseguem manter algo por muito tempo. Por consequência, os brasileiros ao adquirir cada vez mais carros sem uma real necessidade, contribuirá para agravar os problemas ambientais, como a poluição atmosférica e sonora.

Logo, é necessário que as Secretarias Municipais de Mobilidade e Planejamento Urbano, em parceria com as Secretarias dos Transportes Metropolitanos, realizem projetos, como a ampliação de calçadas, rodízios de automóveis, investimentos em metrôs e ônibus e integração de diversos modais, a fim de que haja uma mobilidade nas cidades e os cidadãos fiquem menos tempo no trânsito. Ademais, as Instituições de ensino devem abordar, por meio da disciplina de Geografia, a importância da mobilidade urbana e o incentivo de modais alternativos, como bicicletas compartilhadas e transportes coletivos, com intuito de que haja a formação de cidadãos conscientes.