A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 07/05/2021

Na série “3%”, todo jovem que completa vinte anos de idade tem uma única chance de passar pelo processo para ascender ao Maralto. Porém, apenas 3% passam. Na ficção, o Maralto é tão almejado, pois retrata uma sociedade perfeita, na qual não existem conflitos e todos vivem em paz. Hodiernamente, a crescente crise na mobilidade urbana brasileira torna-se um impedimento à instalação da sociedade do Maralto na população brasileira, o qual ocorre não só pela negligência governamental, mas também pela falta de políticas públicas no contexto social vigente. Nessa perspectiva, não há dúvidas de que essa problemática precisa ser superada para  alcançar a famigerada utopia maraltense.

Primeiramente, cabe destacar que a Constituição de 1988 garante a integração entre os meios de transporte e a melhoria da acessibilidade e mobilidade das pessoas. Todavia, essa garantia encontra-se deturpada, tendo em vista que o Estado não se mobiliza para a reconstrução da infraestrutura urbana e a otimização da mobilidade urbana, como a construção de ciclovias e rodovias regulares para o trânsito de veículos. Segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), entre junho e julho de 2015 surgiram 163.226 novos carros nas ruas do Brasil. Dessa forma, visto que é tendencioso o crescimento da necessidade da mobilidade urbana, é necessária a reformulação da postura estatal urgentemente.

Outrossim, a falta de políticas públicas ainda é um impasse. É sabido que o exacerbado uso de automóveis gera muito congestionamento e dificuldade de mobilidade nas cidades. Entretretanto, existem outras alternativas que visem a melhoria deste cenário, como a adaptação de veículos que não causem tantas dificuldades na locomobilidade social. Apesar disso, ainda há dificuldades para a obtenção e inserção desses veículos na sociedade. Contudo, Maquiavel já afirmava que uma mudança deixa sempre patamares para outras mudanças. Nesse viés, é crucial a implementação de políticas públicas que tornem esses veículos possíveis e, consequentemente, melhorem a mobilidade atual.

Diante do exposto, essa mazela precisa ser combatida. Logo, urge ao Ministério do Desenvolvimento Regional - capacitador de agentes públicos e sociais para as políticas públicas urbanas - em parceria com as prefeituras municipais, criarem um programa gratuito de revezamento de veículos, como bicicletas e patins elétricos, no qual a pessoa poderá se locomover de um lugar ao outro com os mesmos, que será obtido e deixado em pontos de locação pela cidade, disponibilizando à outras pessoas. Tal ação, será realizada por meio de um congresso entre os dois órgãos, no qual serão discutidas as soluções para a precária mobilidade urbana nacional, com o fito de tornar acessível e eficaz o mobilidade para todos os cidadãos. Sendo assim, alcançar-se-á o “Maralto brasileito” de “3%”.