A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 31/05/2021

Na série “Suits”, apresentada pela Netflix, o personagem Mike Ross trabalha em um dos mais conceituados escritórios da cidade de Nova York e utiliza uma bicicleta como seu principal meio de transporte. Entretanto, ao contrário de Mike, a maior parte da população brasileira faz uso de automóveis para se locomover, agravando a crescente crise na mobilidade urbana no Brasil. Com efeito, é fato que tal problemática advém da baixa qualidade do transporte público e do aumento da frota de veículos particulares.

A princípio, é válido ressaltar que a situação precária do transporte coletivo causa apatia nos cidadãos, que só o usam em caso de necessidade. No livro “O Poder do Hábito”, o autor Charles Duhigg - proeminente repórter investigativo - explana que a sociedade age através de hábitos coletivos. Sob essa óptica, é evidente que, para atenuar o grave transtorno da locomoção urbana, é necessário tornar o uso do transporte público um hábito comum no país. Contudo, isso somente será possível se o Estado investir na melhora desses transportes, isto é, aumentar o número de ônibus para evitar a superlotação e investir na manutenção destes para garantir conforto aos usuários.

Acerca disso, é notório que o sistema público de mobilidade é deficiente e fomenta o crescimento da produção de veículos particulares. Com isso, de acordo com a filósofa brasileira Marilena Chaui, o ser humano age conforme a cultura prevalecente no ambiente em que vive. Nessa lógica, a cultura nacional individualista - ou seja, aquela que coloca o indivíduo particular como prioridade em detrimento dos que o circundam - faz com que os brasileiros ambicionem pela aquisição e o uso do veículo próprio e ignorem transportes alternativos, o que prejudica ainda mais a crise móvel no país. Assim, para minimizar esse preocupante problema é fundamental retirar a cultura do individualismo da nação.

Sendo assim, atitudes precisam ser tomadas para combater o progresso da crise móvel urbana no Brasil. Urge, portanto, que as prefeituras municipais - órgãos responsáveis pela mobilidade urbana nas cidades - ampliem as linhas de ônibus, por meio de verbas públicas, aumentando o número de veículos na frota disponível, a fim de reduzir a lotação nos transportes e assegurar o conforto dos cidadãos. Além disso, urge que igual agente, mediante a elaboração de um Plano de Mobilidade Municipal, fomente o uso dos meios de transporte ativos - bicicletas e caminhadas -, divulgando os benefícios individuais e coletivos de tal prática nas redes sociais, com a finalidade de que a crise na mobilidade urbana seja extinta. Somente assim, a cultura nacional apontará para o bem coletivo, construindo hábitos saudáveis, e substancial parte da nação utilizará meios alternativos de locomoção como Mike Ross.