A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 06/06/2021
Segundo dados estatísticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os transportes de pessoas e mercadorias foram intensificados com a globalização para ajudar na expansão econômica. No entanto, não houve planejamento para acompanhar esse crescimento na frota de diversos novos veículos, o que acarretou em vários problemas socioambientais, como congestionamentos e poluições. Nesse sentido, tais problemas são aguçados ainda mais pela ideologia desenvolvida pelo capitalismo, e a inoperância governamental frente à preservação ambiental.
Em primeira análise, vale ressaltar o aspecto supracitado acerca da atual dificuldade em cumprir o direito de ir e vir, previsto pela Carta Magna. De acordo com Karl Marx, as mercadorias no modelo econômico vigente desenvolvem um valor de troca que sobressai o valor de uso. Sob a lógica desse filósofo, a locomoção deixa de ser algo natural e se torna algo lucrativo a partir do momento em que os transportes individuais são mais incentivados do que os coletivos, esse fator contribui ainda mais para um tráfego caótico e horas de trabalho perdidas, o que reflete na economia do país e vai de encontro com o motivo pelo qual os meios de transporte foram reforçados. Com isso, destaca-se que enquanto o bem-estar social não for priorizado a crise na mobilidade continuará.
Ademais, a ausência de um pensamento governamental sustentável colabora para que o deslocamento urbano não esteja em consonância com o meio ambiente. Dessa forma, segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente, os automóveis são responsáveis por 72,6% da emissão de gases nocivos. Tal infortúnio é devido o desinteresse estatal em desenvolver fontes renováveis para os veículos vigentes e incentivar meios de transportes sustentáveis, como bicicletas e transportes públicos. Além disso, diversas áreas verdes dão lugar à construções, como viadutos, estradas etc, as quais, em uma tentativa de amenizar o congestionamento nas cidades, tornam-se vilãs do ambiente. Assim, enquanto a raiz do problema não for resolvida, novos surgirão na tentativa de solucionar outros.
Em suma, é imprescindível a mitigação dos desafios para uma mobilidade urbana tranquila e sustentável. O Poder Legislativo deve, portanto, por meio de fiscalizações mais rígidas, garantir que os transportes públicos e ciclovias recebam os devidos investimentos, para assim incentivar o uso pela população e consequentemente diminuir o número de transportes individuais nas ruas. Outrossim, o Ministério do Meio Ambiente deve, por meio de maiores investimentos governamentais, elaborar um projeto para que todos os meios de transportes possuam fontes renováveis em até uma década, a fim de não prolongar os efeitos deles sobre o meio ambiente. Diante da articulação dessas medidas, poder-se-á se locomover de forma rápida e sem agredir nosso planeta.