A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 11/06/2021

Segundo dados estatísticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os transportes de pessoas e mercadorias foram intensificados com a globalização para ajudar a expansão da economia. No entanto, não houve planejamento para acompanhar esse crescimento na frota de diversos novos veículos, o que acarretou  inúmeros problemas socioambientais, como congestionamentos e poluições. Nesse sentido, tais problemas são aguçados ainda mais pela ambição do sistema econômico capitalista, e a inoperância governamental frente à preservação ambiental.

Em primeira análise, vale ressaltar o aspecto supracitado acerca do descaso em manter o bem-estar social diante de um modelo estatal que visa apenas o lucro. De acordo com  filósofo Karl Marx, no capitalismo as mercadorias assumem um valor de troca que sobressai o valor de uso. Sob essa lógica, a locomoção deixa de ser algo essencial e se torna apenas lucrativo, tendo em vista que, segundo a Associação de Geógrafos do Brasil, os incentivos governamentais são oito vezes mais voltados aos transportes individuais do que para os públicos, haja vista o retorno monetário que isso gera ao país. Por conseguinte, esse fator contribui para mais carros nas ruas, dessa maneira, um tráfego mais caótico e uma crise na mobilidade.

Ademais, a ausência de um pensamento sustentável por parte do governo colabora para que o deslocamento urbano não esteja em consonância com o meio ambiente. Nesse contexto, segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente, os automóveis são responsáveis por 72,6% das emissões de gases do efeito estufa. Tal infortúnio é reflexo do desinteresse do regime político em investir em fontes renováveis para os veículos vigentes e apostar em meios de transportes menos nocivos, como bicicletas. Além disso, diversas áreas verdes dão lugar à construções, como viadutos e estradas, as quais em uma tentativa de amenizar o “engarrafamento” nas cidades, tornam-se vilãs do ambiente. Assim, enquanto a raiz do problema não for resolvida, novos surgirão no intuito de solucionar outros.

Em suma, é imprescindível a mitigação dos desafios para uma locomoção urbana tranquila e não prejudicial à natureza. O Poder Legislativo deve, portanto, por meio de fiscalizações mais rígidas, garantir que os transportes públicos e ciclovias recebam as devidas políticas públicas, para assim incentivar o uso pela população e consequentemente diminuir o número de individuais nas ruas. Outrossim, o Ministério do Meio Ambiente deve, por meio de maiores investimentos governamentais, elaborar um projeto para que todos os meios de transportes possuam fontes renováveis em até uma década, a fim de não prolongar os danos ao ambiente. Diante da articulação dessas medidas, poder-se-à ter uma locomoção de forma rápida e sem agredir o planeta.