A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 21/06/2021
A Política Nacional de Mobilidade Urbana — instrumento responsável pela integração entre os meios de transporte e a melhoria da mobilidade — tem por objetivo garantir a melhor forma de deslocamento e acesso às cidades. No entanto, o atual desiquilíbrio no regime de mobilidade urbana do País reflete uma realidade diferente da prevista pelas normas da lei. Com efeito, a saúde física e mental de milhares de trabalhadores é colocada à prova todos os dias devido às longas jornadas na locomoção. Portanto, faz-se necessário um diálogo entre o papel dos Estados e as consequências da falta de planejamento urbano.
Nesse sentido, é imperioso destacar que, apesar da criação de leis que dispõem específicamente sobre a mobilidade nas cidades, não existe, hoje, um planejamento harmonioso que contemple as principais vias de deslocamento de carros e transportes públicos. A esse respeito, a Constituição Cidadâ de 1988 estabeleceu que cabe aos Estados e seus respectivos órgãos assegurar ao cidadão a mobiilidade eficiente. À vista disso, percebe-se que os governos agem em desacordo com as diretrizes previstas na Constituição brasileira, tendo em vista a assídua desordem no trânsito das cidades. Assim, enquanto a omissão das prefeituras do País for regra, a locomoção pacífica será excessão.
De maneira análoga, a ausência de organização e integração entre quantidade de veículos nas ruas e as pistas pouco amplas acarreta nos famigerados congestionamentos. Posto isso, um estudo publicado em uma revista de saúde on-line revelou que a quantidade excessiva de horas gastas no deslocamento está intrísicamente ligada aos posicionamentos imprudentes no trânsito, de modo que, quanto maior o estresse do indivíduo maior é a tendência a apresentar comportamentos de risco. Semelhantemente, os cidadãos que dependem de transporte público são prejudicados, uma vez que, as principais linhas de ônibus enfrentam superlotação e, por vezes, não cumprem com os horários. Logo, a saúde mental e física desses indivíduos é impactada.
É urgente, portanto, que a crise na mobilidade urbana brasileira seja atenuada. Nesse sentido, o Governo Federal deve liberar verbas para que cada Estado implemente obras de ampliação de rodovias, de modo a criar faixas preferenciais para transportes públicos. Ademais, devem ser ativadas rotas alternativas para o desafogamento das principais vias, além, de melhorias no serviço oferecido pelas empresas de ônibus, para que este se torne atrativo. Essas alternativas viabilizariam uma lomoção harmoniosa, tornando o Brasil um país eficiente e ajustado.