A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 02/11/2021
No governo de Juscelino Kubitschek houve um intenso incentivo às indústrias multinacionais automobilísticas e à criação de rodovias para serem utilizadas por esses veículos. Infelizmente, o Brasil ainda se encontra com poucas alternativas de transporte e enfrenta uma crise de mobilidade urbana, o que ocrre devido à extrema negligência governamental frente a esse impasse, e ao evidente individualismo na escolha dos meios de locomoção, o que dificulta a resolução do problema.
Deve-se pontuar, de ínicio, que a falta de investimentos nos meios de transportes coletivos é o principal empecilho para a mobilidade urbana. Nesse sentido, e de acordo com o escritos Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, os indivíduos possuem direitos teóricos que não são assegurados na práitca. Desse modo , com a pouca e sucateada frota de ônibus e a ausência da intensificação de outros modais, como linhas de metrôs e trens, a sociedade tem seu direito de ir e vir comprometido, o que intensifica a demora nos deslocamentos e torna o meio urbano caótico.
Além disso, a prática individualista na decisão de que meio de locomoção usar compromete a circulação nas cidades. Nesse mesmo âmbito, e de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua teoria sobre a Modernidade Líquida, o corpo social possui um caráter extremamente individual e movido pela efemeridade, o que os torna menos empáticos e sem senso de coletividade. Sob essa ótica, muitos indivíduos escolhem o carro como meio de transporte e sequer fazem o uso da ocupação máxima do veículo, o que aumenta a frota circulante e sobrecarrega o trânsito nas grandes cidades.
Logo, medidas são necessárias para diminuir a crise de mobilidade no Brasil. O Ministério do Transporte, aliado as Secretarias de Tráfego, deve promover a criação de ciclofaixas e corredores de ônibus, além do aumento da quantidade de veículos de transporte público, por meio da contratação de empresas pelo Governo Federal. Detalhadamente, essas empresas irão fornecer mais ônibus de qualidade e promover o criação de linhas de metrô e trens no meio urbano. Dessa forma, todos poderão usufruir do direito de ir e vir.