A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 18/06/2021
A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, atribui a todos o direito de ir e vir. No entanto, isso não está sendo posto em prática, uma vez que o país vivencia uma crescente crise na mobilidade urbana diretamente proporcional ao aumento do uso de transportes privados. Essa problemática é causada tanto pela falta de infraestrutura adequada no sistema público de locomoção, quanto por manipulações midiáticas que influenciam a compra de automóveis.
Nesse cenário, é lícito destacar que a precariedade dos transportes públicos é responsável pela desvalorização deles, uma vez que, por esse motivo, sua utilização é baseada na falta de outra opção. A esse respeito, o documentário “Perrengue”, dirigido por Murilo Azevedo, denuncia a realidade de pessoas que utilizam ônibus coletivos, dotada de insatisfações com a superlotação e demora no deslocamento. Sendo assim, nota-se que por apresentar problemas como estes, a escolha feita por indivíduos que possuem automóvel vai ser, provavelmente, a utilização dele, o que favorece um trânsito lento em decorrência de excesso de veículos nas pistas. Logo, assim como pensam os estudiosos das questões urbanas, uma melhor estruturação dos meios coletivos de locomoção faz-se imprescindível para minimizar os problemas de mobilidade nas cidades.
Outrossim, o capitalismo, explorado pelo sociólogo Karl Marx em seus postulados, é causador de manipulações em massa que induzem a compra de viaturas em um país onde essa ação pode ser prejudicial. Desse modo, grandes empresas automobilísticas utilizam as ferramentas midiáticas para divulgar seus produtos, mediante propagandas que apresentam apenas benefícios de comprar automóveis, ou seja, omitem graves problemas urbanos relacionados a essa atitude. Sendo assim, é estimulado um desejo inconsciente de realizar essa aquisição, o que, segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, é responsável por um consumo irresponsável que, nesse caso, contribui para a intensificação de um trânsito conturbado e para maior emissão de gases poluentes.
Conclui-se, portanto, que os entraves que favorecem o uso de veículos privados contribuem para a decadência da locomoção nas cidades brasileiras. Sendo de tal forma, cabe a prefeitura municipal de cada cidade, instituição administrativa responsável pelos transportes públicos, melhorar a infraestrutura de seus veículos coletivos, por meio da reforma nos ônibus já existentes e do aumento no número de frotas circulantes, de forma a torná-los atrativos à população e minimizar, assim, o uso de locomotivos pessoais. Além disso, a mídia deve veicular, mediante produções audiovisuais, as problemáticas de se adquirir um automóvel no cenário urbano atual. Feito isso, haverá melhorias significativas na mobilidade urbana brasileira, o que favorece, assim, a manutenção do direito de ir e vir.