A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 29/06/2021

De acordo com o filósofo Sartre, “O ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher o seu modo de agir”. Entretanto, tal responsabilidade não tem se reverberado no corpo social, haja vista que há uma crescente crise na mobilidade urbana. Essa realidade se deve à falta de investimentos no setor de transportes, bem como à cultura imediatista contemporânea. Assim, cabe averiguar com tais fatores sustentam esse quadro.

Em primeira análise, é importante enfatizar como a carência de investimentos estatais impulsionam essa triste realidade. A respeito disso, dados da Fundação Getúlio Vargas apontam que a taxa de investimento no Brasil, somando setores públicos e privados, está no seu menor índice dos últimos 50 anos. Nesse sentido, o transporte coletivo possui uma precária infraestrutura, o que não só abre brechas nessa esfera, como a superlotação dos veículos, mas também desestimula grande parte da população a utilizar tal locomotiva. Logo, esses dados alarmantes retratam a necessidade de uma atuação nesse setor.

Em segunda análise, é licito postular como o imediatismo agrava essa problemática. Consoante o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é caracterizada por relações fugazes, frágeis e maleáveis. Sob esse viés, é evidente que as pessoas preferem adquirir novos carros para chegar ao seu destino supostamente em menos tempo. No entanto, tal concepção equivocada apenas aumenta a poluição e afeta o meio ambiente, devido ao engarrafamento nas estradas, comuns em São Paulo, por exemplo, onde existe uma enorme quantidade de habitantes.

Portanto, medidas devem ser feitas para amenizar esse impasse. Por fim, urge que o Estado — enquanto guardião do bem-estar coletivo — promova investimentos, por meio de verbas governamentais, na área de transporte. Tais investimentos devem ser priorizados, principalmente, em locais públicos, com o intuito de garantir uma profícua mobilidade urbana no país. Somente assim, será possível afirmar que Sarte estava correto.