A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 05/07/2021
A partir da metade do século XX, com a chegada de Juscelino Kubitschek ao cargo de presidência da república, observou-se no Brasil uma crescente estruturação da malha rodoviária nacional, e da mesma maneira, um progressivo incentivo à implantação de empresas automobilísticas no país, projetos evidenciados no plano de metas “50 anos em 5”. Não distante disso, percebe-se que a mobilidade urbana no Brasil se reflete em um problema recorrente na atualidade, estando diretamente relacionado com a falta de planejamento urbano governamental no que se refere à utilização das vias, assim como, com a cultura de glamorização da utilização de veículos particulares.
Em primeiro lugar, a ineficiência dos meios de locomoção nos centros populacionais de certa forma relaciona-se intrinsecamente com o conceito proposto por Jean-Jacques Rousseau de “falência do contrato social”, onde a ruptura do contrato ocorre quando o governo não provém os direitos e serviços assegurados aos indivíduos por meio deste, ou seja, o estado não oferta através do transporte público as condições adequadas para que haja o funcionamento harmônico do tráfego de pessoas e mercadorias nos centros urbanos. Além disso, nota-se principalmente nas grandes metrópoles, a cada vez mais significativa utilização do transporte particular em detrimento do uso de meios coletivos, uma vez que, se encontram em um estado de sucateamento sucessivo.
Em segundo lugar, as consequências desse problema se projetam principalmente no campo econômico e no campo sanitário, seja saúde física ou mental. A ausência de uma estruturação adequada do funcionamento do trânsito, estabelece um entrave no fluxo de mercadorias, serviços e pessoas de determinada localidade, exercendo uma influência negativa na sua economia, gerando o encarecimento dos custos dos serviços regionais. Além disso, problemas cotidianos como o congestionamento exacerbam nos indivíduos os sentimentos de estresse, ansiedade e irritabilidade.
Portanto, medidas fazem-se necessárias para a resolução dos problemas relacionados à mobilidade urbana. É de responsabilidade do Ministério das Cidades juntamente com as secretarias estaduais de infraestrutura e mobilidade, traçar projetos para a reestruturação das vias públicas, por meio da realocação de recursos para a ampliação da malha viária, objetivando seu maior dinamismo quanto ao fluxo de veículos. Outrossim, cabe às Prefeituras promoverem, através de parcerias público-privadas com empresas do ramo de tecnologia e sustentabilidade, a difusão do conhecimento sobre os benefícios dos meios de transporte sustentáveis, buscando a diminuição de poluentes atmosféricos.