A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 09/07/2021

De 1994, em um dos episódios da série “Emergency room”, o dr. Carter, ao voltar da sua viagem de férias, não conseguiu chegar ao seu ofício no pronto socorro de Chicago, já que o trânsito da cidade estava caótico. De maneira análoga, assim como Carter, milhares de brasileiros, todos os dias, passam pela mesma situação calamitosa. Nesse sentido, em razão da desorganização das cidades e de um sistema consumista, emerge um problema complexo — o qual precisa ser revertido urgentemente.

Diante desse cenário, vale destacar que a falta de planejamento no desenvolvimento das cidades nacionais reflete, diretamente, na dificuldade de locomoção dentro delas. À vista disso, segundo os estudos geográficos, nos países desenvolvidos, os centros das cidades são rodeados pelas classes com recursos financeiros mais limitados para que fiquem mais próximas de seus empregos, já a classe mais rica habita as periferias. Sob esse ângulo, ao se analisar as metrópoles brasileiras, percebe-se que tal divisão é invertida, visto que os ricos moram em torno do centro e os mais pobres — que são maior parte da população — mais afastado dele, o que origina o movimento pendular, no qual várias pessoas se transportam diariamente de casa ao trabalho. Assim, é evidente que tal contexto agrava muito mais o trânsito e, consequentemente, aumenta o tempo de deslocamento.

Ademais, é importante salientar que uma sociedade marcada pela idealização da felicidade em bens materiais é algo que corrobora a crise nos centros urbanos. Sob esse ângulo, Karl Marx — revolucionário socialista —, traz o conceito de fetichismo das mercadorias, no qual os indivíduos, em busca da aceitação social, são influenciados a adquirir cada vez mais produtos. Sendo assim, no que tange ao panorama atual do país, nota-se que o postulado de Marx procede, uma vez que, em um sistema extremamente capitalista, o povo é classificado pelo que possui e, somado à baixa qualidade dos transportes públicos, é inconscientemente mais influenciado a comprar veículos pessoais. Logo, é necessário que a coletividade aspire o progresso para não sofrer com as possíveis consequências da alta taxa de emissão de CO2, como problemas respiratórios, chuva ácida e o aumento do efeito estufa.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Infraestrutura desenvolva um planejamento para as cidades, por meio de uma maior atenção estatal às periferias, assim como reformas nos meios de transporte público, com o intuito de fazer toda a população usá-los e, consequentemente, diminuir o número de carros nas ruas. Por sua vez, o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, deve criar um projeto pedagógico que estimulem as novas gerações a serem menos consumistas, por intermédio de pesquisas científicas que mostrem os malefícios desse fenômeno, a fim de torná-las mais conscientes. Dessa forma, espera-se frear a crise na mobilidade urbana brasileira.