A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 19/07/2021

No Brasil , morar em uma cidade altamente urbanizada como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo,traz diversos benefícios e oportunidades , uma vez que seus cidadãos tem fácil acesso todos os tipos de produtos e serviços. No entanto, uma alta taxa de população absoluta também gera grandes desvantagens , como a crescente crise na mobilidade urbana , visto que a cada ano que passa o tráfego se intensifica e fica cada vez mais difícil se locomover livremente.Nesse sentido , a fim de mitigar os males relativos a essa temática , é preciso analisar a falha estatal em proporcionar transportes públicos de boa qualidade e ao consumismo exacerbado.

Primordialmente , é necessário destacar a forma como o governo atua nessa problemática. Isso porque , como afirmou Gilberto Dimeinstein , em sua obra “Cidadão de Papel”,a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6  da “Constituição Cidadã”, que garante o direito do transporte a todos. Isso é perceptível ao se observar  as péssimas condições em que muitos veículos públicos, como ônibus e metros ,se encontram . Assim, devido à falta de infraestutura adequada que deveria ser oferecida pelo Estado, grande parte da população opta por transportes privados em vez dos coletivos , o que contribui diretamente para o congestionamento do trânsito nas cidades.

Além disso , a problemática encontra terra fértil no consumismo elitizado atual  .Para entender tal apontamento ,é justo relembrar o conceito de “fetichismo da mercadoria” de Karl Marx, pois , segundo o sociólogo, as pessoas passaram a atribuir valores místicos para os produtos, que vão além da sua real funcionalidade. Nesse contexto, os carros , além de servirem como meio de transporte , também representam status e poder , uma vez que apenas quem possuí condições financeiras consegue usufruir de um veículo privado. Desse modo , o novo significado atribuído ao produto intensificou sua compra exacerbada e , muitas vezes , desnecessária , levando à piora da mobilidade urbana.

Portanto , torna-se imperativo a criação de medidas que ajam sobre a problemática. Nessa lógica. cabe ao governo federal-órgão responsável pela administração nacional-melhorar a qualidade da infraestutura oferecida pelos transportes coletivos , por meio de um maior direcionamento de verbas públicas a essa causa , a fim de aumentar o conforto e a procura desses veículos pela população.Além disso , é importante que o Estado promova campanhas que incentivem a diminuição do uso dos carros para um melhor aproveitamento do tráfego. Dessa maneira , será possível que as desvantagens de se viver em centros urbanos sejam atenuadas.