A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 28/07/2021

A ‘‘carrocracia’’ e a crise da mobilidade urbana brasileira

Conhecida como Cidadã, por ter sido concebida no processo de redemocratização, a Constituição Federal foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos de todos os brasileiros. No entanto, apesar da garantia constitucional, nota-se que a crise da mobilidade urbana possui raízes amargas no país, devido não só a chamada “carrocracia”, mas também a má qualidade dos transportes públicos, ocasionando a redução da qualidade de vida da população.

Em primeira análise, os incentivos realizados à indústria automobilística por Juscelino Kubitschek na década de 60, favoreceram a estrutura das cidades brasileiras de modo que o modal rodoviário prevalecesse. Apesar da idealização desse modelo, com ritmo de crescimento atual dos municípios, denota-se que a estrutura rodoviária estabelecida não mais comporta o volume de automóveis circulantes, o que pode ser facilmente evidenciado pela presença de congestionamentos diários no cotidiano da população.

Assim sendo, a configuração da superlotação de vias promove também a redução da qualidade de vida da população, tanto na esfera ambiental quanto nas esferas econômica e social. Em virtude do grande volume de veículos automotivos circulantes, nota-se a alta liberação de gases intensificadores do efeito estufa produzidos nos motores, além de poluição sonora, por buzinas, devido ao estresse da população no trânsito. Ademais, os grandes congestionamentos diários fazem com que a população -em especial aquela desfavorecida economicamente, que se desloca diariamente grandes distâncias em direção ao trabalho- consuma horas de seu dia no trânsito, ocasionando atrasos e gerando prejuízos econômicos no trabalho.

Todavia, uma pesquisa realizada pelo IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) revelou que 83% dos entrevistados deixariam de utilizar carros caso houvesse uma alternativa de transporte público que atendesse às expectativas gerais. Logo, o Governo Federal, em parceria com os Governos Estaduais e Municipais deve promover a ampliação de linhas de ônibus, escolhidas com base no grau médio de utilização semanal, por geógrafos especializados em planejamento urbano. Dessa forma, respeitando o Plano Diretor, seriam evitadas as superlotações no transporte público, incentivando a população geral a gradativamente substituir veículos automotivos por transportes coletivos, evitando assim congestionamentos e prejuízos ambientais, econômicos e sociais.