A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 01/08/2021
De acordo com a Constituição Federal, promulgada pela ONU em 1988, todo cidadão, sem qualquer distinção, tem o direito de ir e vir. Contudo, tal benefício vem sofrendo impasses, uma vez que, por conta da crescente crise na mobilidade urbana brasileira, a dificuldade de locomoção das pessoas se tornou mais agravante. Nesse contexto, a negligência governamental em conjunto com o descompromisso da sociedade são fatores que perpetuam esse revés no Brasil.
Diante desse cenário, é necessário pontuar a ineficácia estatal para com os meios de locomoção públicos como óbice nessa problemática. Nesse viés, de acordo com o teórico Thomas Hobbes, em sua teoria do Contrato Social, é dever do Estado garantir o bem estar do indivíduo. Entretanto, ao não investir na reforma das vias de trãnsito, na melhoria dos transportes coletivos ou na compra de novos, o que faz muitas pessoas se submeterem a longos engarrafamentos em ônibus lotados e desconfortáveis, além de ficarem expostas a vírus que podem ocasionar o óbito, como o COVID-19, o Governo quebra o pacto formulado pelo pensador, dado que deixa seus cidadãos a mercê de doenças e desconfortos. Dessa maneira, é crucial que haja uma mudança nesse cenário de imprestabilidade para prevenir ainda mais problemas.
Ademais, a pouca importância dada ao tema por uma parcela do corpo social é outro fator recorrente. Nessa perspectiva, segundo o escritor José Saramago, em sua obra ´´Eclipe Sobre a Cegueira, a expressão ´´Eclipse de Consciência deriva da insensibilidade humana perante as dificuldades enfrentadas pelo próximo, nesse caso, as pessoas que são obrigadas a utilizar as conduções públicas. Nessa óptica, tal apatia se encontra presente na falta de mobilizações, seja de forma física ou online, para questões como: o alargamento das ruas, a redução do valor da taxa de ônibus e o progresso na infraestrutura dos mesmos. Logo, ao não se manifestarem contra isso, a fração da sociedade que não necessita de transporte público ou das linhas urbanas mais movimentadas para realizar suas atividades diárias, se torna conivente com o sofrimento daqueles que carecem dessas questões, o que, além de dar continuidade ao problema, ainda o banaliza.
Em suma, é dever do Governo Federal, por meio de um investimento financeiro no Ministério do Transporte, efetuar a compra de novos ônibus públicos, promover o alargamento das ruas mais movimentadas e acrescentar novas linhas de metrô para que haja, além de uma maior facilidade de movimentação, um maior conforto nos instrumentos de transporte. Além disso, cabe aos canais midiáticos, como Globo e SBT, por meio de documentários e notícias sobre o assunto supracitado, conscientizarem as pessoas para que elas decidam se manifestar e ajudar aqueles que necessitam.