A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 31/07/2021

No governo de Juscelino Kubitschek, em 1956, foi criado o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), com o objetivo de viabilizar iniciativas de produção de automóveis nacionais, tal estratégia trouxe um enorme crescimento econômico, social e estrutural. A partir desse feito, os brasileiros são incentivados à compras desenfreadas de carros, causando problemas de mobilidade urbana. De um lado, existe a baixa qualidade e infraestrutura dos transportes públicos da maioria das cidades, por outro lado, os atrasos, trânsitos e poluições desnecessárias advindas do intenso tráfego de veículos dentro dos centros urbanos.

Em princípio, a péssima estrutura dos modais públicos estimula a compra de automóveis particulares, pois a não implantação de serviços coletivos de qualidade ocasiona na falta de interesse da população em participar do trânsito de veículos fornecidos pelo governo. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil tem um carro para cada quatro habitantes, totalizando em 25,2 % na região Sudeste. Mediante aos dados apresentados, conclui-se que, o país está sobrecarregado, principalmente nos centros industriais, os quais são alvos de grande fluxo de veículos, além de estarem sujeitos a um colapso urbano.

Ademais, o trânsito caótico das grandes cidades causa impactos sociais como: os atrasos decorrentes de engarrafamentos e situações estressantes vividas no cotidiano, bem como a emisssão de gases poluentes na atmosfera, acarretando em problemas ambientais e também, relacionados à saúde. Consoante Karl Marx, filósofo e ambientalista, nem a sociedade, nem uma nação ou nem mesmo todas as sociedades juntas são proprietárias do globo. São apenas posseiras. E devemos legá-las em melhores condições às gerações futuras. De acordo com tal pensamento, é perceptível a necessidade de cuidar do meio ambiente, evitando o uso intensivo de automóveis e considerando a maneira coletiva de transporte, o que pode-se assim, dar uma melhor forma de vida e saúde para as gerações futuras.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução do impasse. Depreende-se que, o Ministério da Infraestrutura, órgão da administração pública federal, invista uma maior parcela dos recursos arrecadados pela Receita Federal nos setores de modais públicos, por meio da ampliação das linhas de ônibus e da construção de ciclovias, a fim de estimular a população a adquirir os meios de transporte coletivos para suas atividades cotidianas, com a qualidade e infraestrutura necessária. Outrossim, o Ministério da Educação deve oferecer palestras nas escolas voltadas a conscientização das crianças, sobre os poluentes lançados na atmosfera com o uso de veículos automotores, gerando assim, uma sociedade mais crítica e a favor do crescimento da utilização dos transportes coletivos.