A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 31/07/2021
Em 1988, representantes do povo, reunidos em Assembleia Constituinte, instituíram um Estado Democrático, a fim de assegurar o transporte como valor supremo de uma sociedade fraterna. Todavia, a crescente crise na mobilidade urbana brasileira revela que nem todos os brasileiros experimentam esse direito na prática. Com efeito, há de se repensar as atuais estratégias de deslocamento urbano e o culto ao carro.
Diante desse cenário, o modelo de mobilidade baseado no carro se mostra incapaz de suprir a demanda. Sob esse viés, em 1956, o ex presidente Juscelino Kubitschek investiu no rodoviarismo e motivou a população adquirir veículos, sem os quais seria impossível o deslocamento nas cidades. Entretanto, esse modelo econômico excludente proposto por JK promoveu e ainda promove a desigualdade social, visto que se mostra ineficiente e restrito à minoria detentora do poder econômico. Desse modo, é incoerente que, mesmo no Estado Democrático de Direito, o poder público persista em não oferecer mobilidade inclusiva.
Outrossim, a supervalorização do carro se mostra um desafio à gestão da mobilidade no meio urbano. Nesse contexto, o filósofo Theodor Adorno desenvolveu o conceito de Indústria Cultural, segundo o qual a mídia veicula conteúdos de forma constante e persuasiva, a fim de orientar o comportamento de compra da sociedade. Nesse viés, a preferência da população por carros é motivada pelo constante discurso midiático denunciado por Adorno e reafirma a ideologia imprópria, que eleva os veículos a objetos de prestígio. Logo, enquanto o culto ao carro for a regra, os cidadãos serão obrigados a conviver com o trânsito caótico.
Infere-se, portanto, que a crise na mobilidade urbana brasileira necessita de meios para combatê-la. Assim, os governadores dos estados, em parceria com as prefeituras, devem investir em ferrovias, por meio da construção e da ampliação dos transportes de massa, como trens e metrôs. Essa iniciativa teria a finalidade de melhorar o deslocamento público, de modo a não só torná-lo democrático aos mais pobres, mas também desestimular a supervalorização do carro. Dessa maneira, o Brasil será, de fato, uma sociedade livre, justa e solidária.