A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 05/08/2021
Cidades feitas para carros, não trabalhadores
Na obra literária “Let’s Get Lost”, de autoria de Adi Alsaid, Elliot enfrenta graves problemas de ansiedade devido ao estresse desenvolvido por conta do trânsito. Na contemporaneidade muitos cidadãos enfrentam este mesmo problema, ocasionado não só pela dificuldade de locomoção dos grandes centros urbanos, como também pela crescente despreocupação com o transporte coletivo.
A priori, é necessário ressaltar que, os danos causados na saúde psicológica do trabalhador estão diretamente ligados às cansativas jornadas percorridas até os centros comerciais. Cerca de 65% dos funcionários que residem longe do seu local de trabalho apresentam um histórico de estresse e cansaço no expediente, segundo o biólogo e pesquisador Gustavo Burin, em estudo na revista “Science”. O inchaço populacional e o crescimento não planejado das cidades resultou na frequência de engarrafamentos e um trânsito lento em horário de pico, fatores que intensificam a possibilidade de adoecimento do contratado.
A posteriori, com o governo de Juscelino Kubitschek, foram criadas a cultura do carro e o plano de metas, que resultaram na ampliação da indústria automobilística e da ideia de que o carro é sinônimo de status social. Similarmente, observa-se hoje a carrocracia e o incentivo no uso do transporte individual, devido ao sucateamento dos transportes coletivos. A péssima estrutura dos ônibus, trens e metrôs favoreceu para que as classes mais ricas optassem pela aquisição de seu transporte, além de haver a falta de incentivos, por parte do governo, ao uso e criação de ciclovias, pedágios urbanos e rodízios de carros, prejudicando o ir e vir sem atrasos nos centros.
Em suma, faz-se necessária a parceria entre o Governo Federal, Estadual, Municipal e empresas, em prol da construção de ciclovias e a ampliação das áreas atendidas pelos transportes públicos, junto ao seu aprimoramento. Além disso, cabe às entidades governamentais a elaboração de propagandas sobre a necessidade de optar por outros meios mais ecológicos e sua importância. Desse modo, com o devido enfoque nas medidas para melhorar o trânsito, a triste realidade vivida por Elliot e por tantos outros brasileiros não se repetirá.