A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 09/08/2021
O direito de ir e vir é assegurado pela legislação brasileira e abrange todos os cidadãos. Contudo, a crescente crise na mobilidade urbana dificulta a plena concretização dessa diretriz, o que prejudica vários indivíduos e setores sociais, como a economia e o meio ambiente. Destarte, é possível afirmar que tanto o modal de transporte inócuo quanto a falta de um planejamento urbano contribuem para a continua amplificação do impasse na locomoção no âmbito citadino.
Nessa conjuntura, é de caráter basilar a menção do contexto histórico do governo de Juscelino Kubitschek, o qual instalou uma política econômica desenvolvimentista que favoreceu a instalação de diversas fábricas automobilísticas. Como consequência, o atual panorama rodoviário é dominado pelos carros, enquanto o transporte público torna-se cada vez mais sucateado, haja vista a falta de investimento nesse setor. Dessa forma, é evidente que a nação possui um modal de transporte congênere e inflexível, o que contribui para dificultar a mobilidade urbana. Em contraste, algumas cidades, como Nova York, possuem modais complexos e diversificados e, por isso, muitos cidadãos não sentem a necessidade de possuir um veículo privado. Logo, é inegável a necessidade de investir na malha de transporte do país para efetivar o direito de ir e vir.
Outrossim, vale ressaltar que, sob uma análise geográfica, a urbanização brasileira, que ocorreu em meados do século XX, é considerada atrasada e rápida, o que possibilitou o desenvolvimento de várias cidades sem planejamento adequado. Tal paradigma afetou a construção de bairros autossuficientes e concentrou as atividades de lazer, compras e serviços no centro. Sob esse prisma, várias pessoas precisam fazer uma migração pendular para poder aproveitar os recursos do meio urbano. Todavia, essa situação não é apropriada para uma mobilidade urbana eficiente, uma vez que aglutinam os fluxos para uma mesma direção. Somado a isso, a urbanização atrasada proporcionou, também, estradas desorganizadas e exclusivas, o que torna a locomoção e o trânsito nacional mais caóticos.
Portanto, é fundamental que o governo federal invista no modal de transporte, por meio do aumento na frota de ônibus, na disponibilidades de bicicletas públicas e na construção de metrôs. Desse modo, o transporte público será melhorado e ampliado, fato que reduzirá a crise da mobilidade nas metrópoles. Ademais, é necessário que o Ministério do Desenvolvimento Regional promova a construção de bairros autônomos, por intermédio de um planejamento robusto - o qual contará com urbanistas para analisar as necessidades que tornarão tais áreas autossuficientes. Essa medida possui a finalidade de mitigar o forte fluxo para os centros citadinos e, assim, proporcionar uma locomoção urbana fluida.