A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 06/08/2021

Como resolver a crise da mobilidade urbana no Brasil?

As recentes manifestações relativas à qualidade dos serviços públicos e o aumento da tarifa do transporte público, que levou milhares de pessoas às ruas no Brasil, colocaram a mobilidade urbana no auge da agenda política e revelaram uma provável crise no setor.

O professor doutor de Transporte Público da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Jaime Waisman, reflete: “Essa crise existe e há bastante tempo. Cidades de menor porte estão aumentando progressivamente esses deslocamentos e isso reflete numa queda da mobilidade urbana”. De acordo com Waisman, um transporte público caro e de má qualidade gera um processo de exclusão social, cujo reflexo recai sobre a lentidão das cidades deixando-as menos interessantes para investimentos por causa da redução progressiva da mobilidade.

O descaso com a lei é percebido quando apenas 15 dos mais de cinco mil municípios brasileiros concluíram os projetos previstos na Lei da Mobilidade Urbana (12.587/12), implantada em janeiro de 2012, que estabelece que até 2015 os municípios com mais de 20 mil habitantes terão que dispor de plano de mobilidade.

A entidade Greenpeace realiza campanha na rede para fiscalizar os municípios que estão elaborando seus planos de mobilidade. Transporte individual A política de investimentos do governo voltada à frota de automóveis tem trazido prejuízos sociambientais e econômicos à população. O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) registrou, em abril de 2013, uma frota de 77,8 milhões de veículos, entre automóveis, caminhões, ônibus, carretas e motocicletas.