A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 09/08/2021
O desenvolvimento de estudos logísticos capazes de contribuir para a organização das cidades industriais marca a Modernidade, apresentando impactos significativos no planejamento urbano ocidental. Contudo, hodiernamente, coloca-se em pauta a crescente crise na mobilidade citadina brasileira, evidenciando-se os obstáculos apresentados pela dinâmica social nacional e a demanda por alternativas substitutivas mais ecológicas. Nesse sentido, cabe a análise dos aspectos socioculturais que permeiam a problemática, além da observação acerca do papel estatal na sua remediação.
É relevante abordar, primeiramente, em consonância com Karl Marx, o modo de produção material é determinante para a compreensão dos fenômenos sociais. De maneira análoga à lógica marxista, o descaso institucionalizado com que são tratados os meios de transporte coletivos e a hipervalorização do automóvel individual são frutos da lógica capitalista, em que o consumo e a individualização torna-se preferenciais. Nesse contexto, cria-se no imaginário populacional uma percepção distorcida que atrela as necessidades do indivíduo com o anseio por inclusão na estrutura econômica vigente, convertendo-se em entrave no fluxo urbano e na emissão intensiva de poluentes atmosféricos.
Paralelo a isso, a ineficácia governamental na formulação e proposição de estratégias modais, que atendam às demandas contemporâneas, são barreiras significativas para a adaptação e avanço dos sistemas de locomoção brasileiros. Sob essa perspectiva, embora, segundo o IBGE, 80% da população pátria resida nas áreas urbanas do país, o transporte coletivo ainda é deficitário e apresenta-se para a população como inseguro e ineficiente. Diante disso, urge a busca por modelos de deslocação citadinos mais dinâmicos e ecológicos, tal como o adotado em Londres — em que o investimento em transporte público, aliado à desestimulação do uso de automóveis individuais, contribuiu para a diminuição do trânsito e, consequentemente, para a redução dos impactos ambientais.
Portanto, urge a criação de alternativas que contribuam para o avanço nas questões de mobilidade urbana em território nacional. Para tanto, os Ministérios de Infraestrutura e do Meio Ambiente, em ação intersetorial com as Secretarias Estaduais de Logística e Transportes, devem promover, nas diversas frentes acadêmicas, o desenvolvimento de pesquisas qualitativas — que objetivem elaborar estratégias para a coordenação e integração de sistemas modais adaptados às realidade regionais do Brasil. A partir dessa ação, tornar-se-á possível a ordenação de políticas públicas que possibilitem o uso dos recursos estruturais e ambientais do país, visando estimular a coletivização e sustentabilidade de meios de locomoção, amenizando a crise vigente.