A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 22/09/2021

A mobilidade urbana pode ser definida como qualquer deslocamento de pessoas e bens realizado dentro de um espaço urbano. De acordo com a Constituição Federal de 1988, o direito de ir e vir é previsto como garantia fundamental do cidadão. No entanto, lamentavelmente, a mobilidade urbana brasileira vem sendo prejudicada por diversos fatores, impedindo que a população usufrua do seu trânsito de forma satisfatória. Nesse sentido, convém analisarmos as principais causas, consequências e possível medida relacionada a esse impasse social.

Em primeira análise, a precariedade do transporte público estimula a compra de carros particulares causando cada vez mais engarrafamento e poluição do ar nas grandes cidades. De acordo com uma pesquisa de 2016 da Fundação Getúlio Vargas, a frota de automóveis no Brasil cresceu 400% nos dez anos anteriores. Dessa forma, é notável que o Estado não tem convertido os impostos da população de modo competente, no que diz respeito à qualidade dos transportes de massa como ônibus, trens e metrôs, além de existir escassez de faixas seguras para ciclistas.

Em segunda análise, devido à falta de investimento em outras vias de transporte, o Brasil é extremamente dependente das rodovias. Em 2018, a greve dos caminhoneiros escancarou esse problema, causando um caos generalizado com a falta temporária de abastecimento de alimentos, remédios e gasolina. Sendo assim, a política do “rodoviarismo” que teve seu auge no governo de Juscelino Kubitschek se mostra equivocada até os dias atuais, por tornar o país subjugado a apenas um modal de transporte e não apresentar boa relação custo-benefício comparada ao uso de ferrovias, hidrovias e aerovias.

Portanto, é necessário que o Ministério da Infraestrutura crie políticas públicas para o aumento dos outros modais de transporte, por meio da formação de novas faixas de integração em pontos estratégicos do país, como as maiores áreas de fornecimentos de produtos agrícolas. Ademais, os governos estaduais, em parceria com as prefeituras, devem investir no conforto e segurança do transporte público, de modo a incentivar seu uso ao contrário do carro. Espera-se, com isso, mitigar a dependência e os gastos excessivos com rodovias, de forma a baratear os custos de fretes e produtos e, além disso, diminuir a circulação de carros e emissão de gases do efeito estufa nas cidades.