A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 13/08/2021

Segundo dados estatísticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), os transportes de pessoas e mercadorias foram intensificados com a globalização para ajudar na expansão econômica. No entanto, verificou-se uma ausência de planejamento nesse crescimento acelerado, a qual refletiu na atual realidade caótica da mobilidade brasileira, resumida em diversos problemas urbanos, como congestionamentos, e que urge atenção. Nesse sentido, os moldes do sistema capitalista, e a inoperância estatal colaboram para aguçar a problemática.

Em primeira análise, vale ressaltar o aspecto supracitado acerca da negligência em manter o bem- estar social, diante de um modelo econômico que visa apenas o lucro. Isso pois, segundo a lógica de Karl Marx, de que no capitalismo as mercadorias assumem um valor de troca que sobressai o de uso, a posse de automóveis torna-se uma cultura, que é baseada nas diversas propagandas para compra de transportes particulares, haja vista o retorno monetário gerado ao país. Assim, com a preferência dada aos meios individuais, tem-se cada vez mais carros nas ruas e uma locomoção mais desordenada.

Outrossim, é igualmente importante apontar o descaso estatal em buscar soluções para a situação do trânsito no Brasil. De acordo com a Associação Nacional de Transporte Público, os transportes coletivos não são prioridades nos gastos públicos, com isso, a estrutura é sempre precária, o que, em consonância com as intervenções midiáticas abusivas, colabora para que a maioria da população descarte esse tipo de meio. Ademais, outras formas de deslocamento, como ciclovias, não são pautadas como opção de aproveitar melhor o fluxo. Dessa forma, o desinteresse governamental em um plano de mobilidade impede uma melhora na qualidade do tráfego brasileiro.

Em suma, é imprescindível a mitigação dos desafios para uma locomoção urbana tranquila. Desse modo, o Ministério da Comunicação, deve, por meio de fiscalizações mais rígidas, impedir propagandas muito abusivas acerca da compra de veículos individuais, a fim de minimizar a cultura sobredita e tornar outras formas de movimentação uma opção. Aliado a isso, o Ministério do Transporte, por meio de maiores verbas liberadas pelo Governo Federal, deve reestruturar os transportes coletivos, para que as pessoas sintam-se estimuladas a utilizá-los, além de apostar em ciclovias em todas as estradas e assim “desafogar” as ruas. Diante da articulação dessas medidas, poder-se-á ter uma locomoção mais rápida e tranquila, com a democratização de várias opções.