A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 15/08/2021

A ‘‘carrocracia’’ e a crise da mobilidade urbana brasileira

Conhecida como Cidadã, por ter sido criada no processo de redemocratização do Brasil, a Constituição Federal foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos de todos os brasileiros. No entanto, apesar da garantia constitucional, nota-se que a crise da mobilidade urbana apresenta raízes amargas no país, não só devido a chamada ‘‘carrocracia’’, mas também a precariedade dos transportes públicos, ocasionando a redução da qualidade de vida da população.

Em primeira análise, os incentivos à indústria automobilística, por Juscelino Kubitschek na década de 60, favoreceram a estrutura das cidades brasileiras de modo que o modal rodoviário prevalecesse. Apesar da idealização desse modelo, com o ritmo de crescimento atual dos municípios, denota-se que a estrutura rodoviária estabelecida não mais comporta o volume de automóveis circulantes, o que pode ser facilmente evidenciado pela presença de congestionamentos diários no cotidiano da população.

Assim sendo, é notório que a configuração atual de superlotação de vias promove também a redução da qualidade de vida da população, em especial na esfera ambiental. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), carros atualmente representam 72,6% da emissão de gases efeito estufa em São Paulo. Assim, pode-se atribuir o grande volume de veículos circulantes, em especial nas metrópoles brasileiras, à intensificação do aquecimento global e a ocorrência de chuvas ácidas, gerando graves desequilíbrios ambientais - que por sua vez, impactam a saúde humana, aumentando os riscos de desenvolvimento de problemas respiratórios, cânceres de pele e doenças cardiovasculares, por exemplo.

Todavia, uma pesquisa realizada pelo IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) revelou que 83% dos entrevistados deixariam de utilizar carros caso houvessem alternativas de transporte público, menos poluentes em relação aos automóveis, que atendessem às expectativas gerais. Logo, o Governo Federal, em parceria com os Governos Estaduais e Municipais, deve promover o aprimoramento das linhas de ônibus brasileiras, aumentando o volume da frota circulante de acordo com o um índice médio de utilização semanal, levantado por geógrafos especializados em pesquisa e planejamento urbano. Dessa forma, seriam evitadas as superlotações no transporte público, incentivando a população a gradativamente substituir veículos automotivos por transportes coletivos, o que evitaria congestionamentos e maiores prejuízos socioambientais.