A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 26/08/2021
A Constituição Federal assegura, em seu artigo 5°, o direito de ir e vir dos cidadãos. Entretanto, na prática, essa garantia é prejudicada, visto que a sociedade brasileira enfrenta uma grave crise na sua rede de transportes e, por conseguinte, em sua mobilidade urbana. Esse cenário é impulsionado pela supervalorização do uso dos carros e a má organização dos modais. Sendo assim, há o aumento de danos ao meio-ambiente e na qualidade de vida dos cidadãos,fazendo-se necessário o debate acerca dessa problemática com o objetivo de assegurar os direitos constitucionais.
Nessa perspectiva, cabe a reflexão sobre como a compra de automóveis é incentivada ao extremo pelo capitalismo dos séculos XX e XXI. Sob essa ótica, a noção do “The american way of life”, criada nos Estados Unidos e incorporada no Brasil, tornou os carros objetos de desejo de consumo, associando-os ao sucesso e a independência. Logo, adquirir um veículo individual é o sonho de muitos brasileiros, o que leva a perda de estímulo para o uso de transportes coletivos e, como consequência, superlotando vias e avenidas das grandes cidades.Dessa forma, é evidente que esse pensamento sobre o consumo é nocivo, contribuindo para a deficiência da sustentabilidade nas cidades - com emissões de gás carbônico excessivas - e fomentando a crise na mobilidade.
Ademais, vale ressaltar a falta de planejamento e infra-estrutura da malha de transportes brasileiros. Nesse contexto, é cabível lembrar da greve dos caminhoneiros de 2018, a qual influenciou a logística de produtos levando a paralisação do país. Esse acontecimento demonstrou como há pouca diversidade nos modais brasileiros, os quais estão apenas limitados as rodovias, não explorando o potencial do território que poderia ser usado para a ampliação de outros tipos de transporte - como hidroviários e ferroviários. Além disso, as más condições dos trêns, ônibus e metrôs - como a falta de manutenção e os altos preços- tornam improvável o rendimento pleno das frotas existentes. Nesse âmbito, mostra-se a negligência do governo para a organização das cidades, sendo evidente o impacto dessa para o crescimento da problemática.
Portanto, são notórios os fatores que impulsionam o declíneo da eficiência da mobilidade urbana brasileira. Dessa forma, cabe ao Governo Federal, que garante os direitos dos indivíduos, promover a diversificação dos meios de transporte, por meio do estudo de formas viáveis de implementação com o apoio de engenheiros capacitados, a fim de diminuir a quantidade de caminhões e carros nas cidades. De maneira análoga, deve-se melhorar a qualidade dos modais já em funcionamento e incentivar os cidadãos ao uso de meios alternativos de locomoção, como a bicicleta e a carona. Logo, com essas medidas será possível mitigar o problema e efetivar os direitos da carta magna de 1988.